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NEIL YURI - ABS É BOM. ABS NÃO É BOM - 22/11/2009

– Com a chegada, em outubro, da XRE300 e CB300R com freios ABS, o mercado brasileiro passou a ser privilegiado com tecnologia moderna em alguns de seus modelos de pequena capacidade volumétrica. Viva a Honda!? sim e não!

Depois de tantos testes e matérias publicados a respeito dessa tecnologia, a teoria e a prática convergiram para atestar o ABS como aliado de motoristas e pilotos quando o assunto é parar o veículo com mais segurança. Isso é fato e, por conta disso, a Honda está de parabéns ao introduzir um conceito só utilizado em veículos top nas suas motocicletas mais acessíveis.

Só que, ao fazer isso, a Honda tornou as motocicletas justamente menos acessíveis. Em Fortaleza, por exemplo, paga-se até R$2.500,00 a mais pelo opcional, o que não deixa de pesar no bolso do consumidor; afinal, estamos falando de 20% de incremento no preço dessas motos.

Então, arrisco a dizer que o interesse da Honda não é popularizar o produto, em nome da segurança. Não, não! Esqueça essa balela de segurança. Quem quer segurança, tem de pagar (e caro) por ela, segundo a filosofia da Honda. Esta quer mesmo é distanciar seu produto da concorrência, e, de fato, o faz muito bem, tanto na tecnologia quanto no preço, o que nos leva a uma dedução lógica e mercadologicamente cruel: a Falcon foi sacrificada  para a chegada desta... Jaspion tupiniquim, cheia de cores e com aquela carenagem plástica de gosto duvidoso, que, à exceção do fato de ser injetada, é “menos” moto que a irmã mais velha. Não obstante, paga-se hoje por uma XRE300 básica nova o equivalente à antiga Falcon, e se quisermos o ABS, aí então a XRE300 sairá da loja por preço equivalente ao da finada CB500 em seu último ano de vida. E eu nem vou falar aqui sobre o que seria possível comprar nos Estados Unidos ou Europa com o dinheiro com que se compra esses novos modelos da Honda no Brasil.

A continuar assim (e nada me faz pensar que poderá ser diferente um dia), continuaremos sendo a aposta da vez das indústrias chinesas, que vêm fazendo a festa com seus produtos ridiculamente ultrapassados em design, mas com preço final que o trabalhador assalariado pode pagar em algumas dúzias de prestações.

Quanto às motos com ABS, ahh, sim!!, essas continuarão sendo para uma outra camada da sociedade, que pode se dar o luxo de pagar entre 15 e 20 mil Reais para ter um veículo de  duas rodas  na garagem.

Neil Yuri – Motociclista e colaborador da MotoRevista.

 

 

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