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VIAGEM: DO RIO GRANDE DO SUL ATÉ FORTALEZA - 11/03/2009

Viajar de moto é sempre uma aventura, mas não são todos aqueles que têm coragem ou disposição para fazê-lo. Acompanhe o relato de Lisiane Pletiskaitz, que veio do Rio Grande do Sul até Fortaleza com sua Fazer 250cc.

De Santa Maria (RS) a Fortaleza(CE) - Meu nome é Lisiane Pletiskaitz, tenho 27 anos e uma Yamaha Fazer LE 250cc. Morava em Santa Maria (RS). Meu noivo Daniel Mirapalheta e eu decidimos nos mudar para Fortaleza (CE). E então, nos veio a dúvida: “Qual é a graça de enviar a moto por transportadora e perder um passeio desses?”. Resultado: 5700 km por lugares lindíssimos que nunca esquecerei

Para uma viagem, os preparativos são meio caminho andado, mas mesmo com tudo esquematizado, acabei indo dormir por volta das 4h da manhã para acordar às 6h do dia 01/08/2008. Claro que me atrasei! Antes de sair da cidade, passei na Azzurra Motos para novamente me despedir de meus amigos e ex-colegas de trabalho que tanto me apoiaram e ajudaram neste projeto que era um grande sonho. Após isso, peguei a estrada em direção a Balneário Camboriú (SC). Temperatura de 6°C, tempo úmido, mas nada de chuva.

Como nunca havia viajado sozinha, sentia certo medo de me perder. Também me deparei com vários trechos de grande trânsito, por isso prestava muita atenção em placas. Elas me ajudaram muito, pois eu não estava equipada com nenhum tipo de GPS, somente meu guia com vários mapas. Peguei a BR-287 passando por Santa Cruz/RS, onde parei a primeira vez. Depois, segui pela Tabaí-Canoas, onde passei por Porto Alegre/RS. Ao passar por Osório, começou a BR-101 (Maquine (RS), Sombrio (SC), Araranguá (SC), Imbituba (SC), Palhoça (SC), Florianópolis (SC), Tijucas (SC)). Não via a hora de chegar na casa de meus pais, pois nunca vi tanto desvio por causa das obras de duplicação da pista, que, juntamente com trânsito lento, chuva, caminhões e noite, me fez chegar em Balneário Camboriú às 22:40h.

Fiquei na casa de meus pais (que não estavam muito felizes com essa viagem por acharem perigosa, mas acabaram me apoiando) até dia 07/08. Lá tirei muitas fotos, fiz a revisão dos 5000 km da moto. Também aproveitei para descansar, já que havia ainda muito chão. No dia 07, após o almoço, me equipei, carreguei a moto e segui para Curitiba (PR) pela BR-101. Viagem tranqüila de 224 km. Chegando lá, passei a noite na casa dos sobrinhos.  No dia 08 de manhã cedo fui até o aeroporto me encontrar com Daniel (meu noivo), pois ele estava vindo de Fortaleza de avião (já morava lá há quase três meses). À tarde, foSmos passear pela cidade e comprar uma jaqueta para ele.

Dia 09 pela manhã, partimos para Campinas (SP) pela BR 476. Pegamos cerca de 300 km de chuva, o que trouxe bastante preocupação com a visibilidade, trânsito, frenagem, etc, sem falar nos pés e partes das roupas molhadas que gelavam. Passamos por cidades como Jacopiranga e Registro em São Paulo. Em Juquiá (SP), pegamos a estrada em direção a Sorocaba (SP). Paramos numa lanchonete a uns 45 km da chamada “Cabeça da Anta”. Lá sim choveu muito, por isso tivemos que esperar e depois seguir pela SP-079. Passamos por Pariraí (SP) e Piedade (SP) (onde começou a parar de chover). Contornamos a cidade de Sorocaba (SP), pegamos a saída 91 e seguimos para Campinas (SP). Chegando ao hotel, com toda a roupa molhada, foi ótimo tomar um banho quente e sair para tomar um chope.

Dia 10, passamos o dia todo em Campinas, levamos as roupas para a lavanderia, passeamos pela cidade, visitamos o Shopping Dom Pedro (maior shopping da América Latina), lavamos a moto no Shopping Galeria e fomos ao cinema. No dia seguinte, após café da manhã, pegamos a estrada para Juiz de Fora (MG). Ainda em São Paulo pegamos a BR-381 e seguimos até Careaçu (MG), onde fomos pela rodovia estadual para cortar caminho por Lambari. Em seguida seguimos por Caxambu (MG) e depois pela BR-267 até Juiz de Fora. Chegando a Juiz de Fora, como já havia anoitecido, primeira entrada da cidade, pois a rodovia estava em construção e sem nenhum tipo de sinalização. Com isso pegamos muito trânsito, o que foi deveras cansativo.

Continuando o trajeto no dia 12, saímos cedinho de Juiz de Fora e acabamos não passeando pela cidade para conhecê-la melhor por causa do pouco tempo que tínhamos. Abastecemos num posto no caminho e seguimos pela BR-267 em direção a Leopoldina (MG) e Muriaé (MG). Diferentemente de como o mapa mostrava, a estrada estava em boas condições. Após Muriaé, pegamos a BR-35 até Itaperuna (RJ), onde almoçamos. Lá o calor começou a ficar muito forte. Logo adiante seguimos pela RJ-186 em direção a Bom Jesus do Itabapoana (RJ) onde abastecemos, cruzamos o Rio Itabapoana, divisa com o Espírito Santo e Pegamos a ES-297 em direção a BR-101 para Vitória (ES). No final da tarde, nos acomodamos no hotel e depois saímos para jantar.

No outro dia saímos cedo para não pegar muito trânsito. Tiramos fotos da orla e ficamos maravilhados com o lindo nascer do sol. Após parar para tomar café e abastecer, nossa próxima parada foi em São Mateus, ainda no Espírito Santo. Prosseguimos para Porto Seguro, pois o trecho seria um dos mais longos que iríamos percorrer. Ao entrar na Bahia, a estrada não estava em condições precárias como o mapa indicava, porém, paramos diversas vezes devido a obras na pista. Chegamos a Eunápolis somente ao entardecer, pois antes havia muitos caminhões longos transportando madeira nas curvas da serra, com pouca possibilidade de ultrapassagem. Em Eunápolis, pegamos a BR-367, a qual seguimos até Porto Seguro, chegando lá por volta das 19h.

Dia 16, partimos bem cedo, pois iríamos até Feira de Santana (BA). Não abastecemos em Porto Seguro porque a gasolina era absurdamente cara em relação aos outros postos onde paramos. Abastecemos em Eunápolis, onde ainda era cara, mas não tínhamos outra opção. Tomamos café e calibramos os pneus. Rodamos até Aurelino Leal (BA), onde paramos para comer e, após algum tempo parados, o Daniel, meu noivo, foi abastecer e notou que o pneu estava murcho. Como estávamos rodando bem, o pneu só poderia ter furado na entrada do posto. Conseguimos colocar uma câmara no pneu para podermos pelos menos retornar para Itabuna e ir até a concessionária. Como o pneu que queríamos não havia no local, resolvemos passar o restante do sábado e o domingo em Ilhéus, que fica a 30km dali, e descansar mais um pouco. Chegamos ao hotel que havíamos reservado anteriormente. O local ao redor não era nada amigável, mas mesmo assim passamos a noite lá.

Na manhã do dia seguinte, fomos passear. Observamos que daquele lado a cidade estava um pouco abandonada, com construções antigas sem manutenção, e descobrimos que no lado norte da praia havia muitas pousadas com valores mais acessíveis além de o local ser muito mais bonito. No dia 18 acordamos cedo, voltamos pela BR-415 até Itabuna. Lá, fomos até a concessionária para resolver o problema do pneu. Após ter sido comprado e colocado o pneu original que eu queria, foi possível seguir adiante com o roteiro. Voltando para a BR-101, passamos por Itajuipe (BA), Ubaitaba (BA) e fomos parar para um lanche um pouco mais adiante num posto de combustível por volta das 14h. Seguimos por Santo Antônio de Jesus, Conceição do Almeida, Sapeaçu, Cruz das Almas, Muritiba, todos municípios baianos e pela Usina Hidrelétrica Pedra do Cavalo, localizada entre os municípios de Governador Mangabeira e Cachoeira. Antes de chegar a Conceição do Jacuípe (BA), entramos na BR-324. Um pouco antes das 17h, fomos surpreendidos com um lindo arco-íris chegando a Feira de Santana, onde andamos pela Avenida do Contorno para chegar até o outro lado da cidade e assim prosseguir pela BR-324. Depois disso foi só seguir pela BR-116 até Serrinha, onde chegamos à noite e com uma fraca garoa.

Dia 19, às 5:30h da manhã já estávamos nos organizando para sair. Continuando pela BR-116, passamos por Teofilândia (BA), Araci (BA), Tucano (BA), Euclides da Cunha (BA), Canudos (BA). A estrada era formada por retas de vários quilômetros e com pouco movimento, até por causa do horário que saímos. Ao, finalmente, deixarmos a Bahia, apressamos para fazer o trajeto entre Cabrobó/PE e Salgueiro/PE o mais cedo possível, pois segundo o guia que nos acompanhava, é uma área de muitos assaltos e isso nos causava certa apreensão. Chegando à polícia rodoviária de Cabrobó um pouco antes do meio-dia para pedir informações das condições da estrada, nos foi informado que a área mais perigosa era a que a gente já havia atravessado que começara a uns 5 km antes. Percebemos que temos mais sorte do que juízo, pois paramos por lá para tirar fotos e nada aconteceu. Acabamos chegando cedo em Iço (CE), apesar da Rodovia Santos Dumont estar muito ruim em longos trechos.

No dia 20, como o nosso último trajeto era de apenas 379km, não nos preocupamos em sair muito cedo. Por volta das 8h seguimos pela BR-116. Passamos por Jaguaribe e fomos abastecer a moto e calibrar os pneus. Tínhamos que ter cuidado era com cabras e jegues. Depois de Chorozinho, aparecem mais buracos. Neste trajeto, era difícil encontrar postos com gasolina aditivada. Chegamos por volta das 14h em Fortaleza sob forte calor e abastecemos na entrada da cidade, pois a moto já estava na reserva. Fomos, após uma volta na cidade, na Crasa Motos onde, após alguns dias, comecei a trabalhar. E, em seguida, “home, sweet home” e a certeza do dever cumprido, nesta nossa primeira grande viagem pelo Brasil.
                                
     Para concluir, gostaria de dizer que recomendo viajar, principalmente de moto, já que é uma das minhas grandes paixões. O prazer de rodar, conhecer sotaques e pessoas diferentes, ver e registrar belas paisagens não tem preço. Não tenha receio. Contratempos fazem parte, mas a emoção do roteiro cumprido com  o melhor aproveitamento possível é indescritível. Por isso, se tiver oportunidade, viaje, não importa e distância ou a cilindrada.

Lisiane Pletiskaitz
lisipm@gmail.com

 

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