Há alguns meses escrevi aqui sobre minha experiência no trânsito canadense, na primeira parte deste título. Antes que o ano termine, gostaria de dividir um pouco mais as impressões que tenho do trânsito de nosso país, quando comparado ao trânsito, esse sim!, civilizado de outros países.
E pra (re)começar, sempre é conveniente lembrar que nossa herança cultural e perversa nos induz a imputar a terceiros nossas mazelas (sofremos no sertão porque Deus não manda chuva; morremos porque não temos saúde pública ou a segurança pública é insuficiente, como se a polícia fosse responsável por nossa boa ou má criação, por exemplo), mas, neste caso em particular que relato a seguir, “passar a bola” à nossa administração municipal é necessário.
Refiro-me à recente pintura e recuperação das faixas de trânsito no trecho que uso diariamente a caminho de meu trabalho: a Av. Raul Barbosa e a já velha Via Expressa. O trabalho está até bem feito com as faixas no asfalto em destaque suficiente para bem orientar o motorista. Só esqueceram de, antes, corrigir as muitas e muitas imperfeições do asfalto por todo esse trecho. O resultado é que a pintura passa indistintamente por asfalto ainda bom e por asfalto em péssimo estado, guiando o condutor desavisado de um veículo para cima de tais imperfeições (enrugamento do asfalto e desgaste, lombadas, bocas de lobo, buracos e tudo o mais que se possa ter numa via mal conservada).
Quem acha que isso não é problema precisa trafegar por essas vias de alto fluxo para perceber o problema.
Fica a pergunta: pra quê orientar o trânsito com as novas faixas? se, na iminência de cair num buraco, um veículo é forçado a desviar ou parar bruscamente, pondo em risco a segurança do trânsito, desde outros condutores a pedestres, ciclistas e, é claro, também motociclistas.
E para os que dizem que recuperação de malha viária não é prioridade, é conveniente lembrar que vários acidentes decorrem justamente do péssimo estado de conservação das vias. Não preciso demonstrar isso; basta assistir a qualquer programa de notícias na TV para constatar.
Numa cidade grande como Fortaleza, faz-se urgente a ação que propicie aos veículos em trânsito a segurança no trafegar. Isso significa evitar acidentes e diminuir custos de reparação de danos que podem facilmente superar o orçamento para uma boa pavimentação. Afinal, quanto asfalto ou quantos litros de tinta são necessários para pagar por uma vida perdida em decorrência da má conservação viária?
Portanto, administradores públicos de Fortaleza, Sra. Prefeita e seus secretários, serviço pela metade é desserviço para a população; tanto para a população que pode ou necessita trafegar num veículo automotor como para aquela que não se utiliza desse meio de transporte.
Neil Yuri - Motociclista
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