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NOVA HONDA CB600F HORNET 2008 - 25/04/2008

Parte 2 - No início desse mês de abril, comentei a chegada ao Brasil da nova e remodelada Honda CB600F Hornet. No último final de semana, tive a oportunidade de pilotar o modelo, gentilmente cedido pelo Ronaldo, gerente da filial Messejana da Fort Motos, uma das concessionárias Honda em Fortaleza.

De imediato, posso dizer que apesar de estranhar alguns aspectos estéticos da moto (veja o primeiro texto, publicado aqui no site no dia 5/4/2008), tive uma impressão diferente ao olhar para a moto ali, na minha frente. O modelo que estava estacionado era preto e, por conta disso, especialmente sóbrio. Os cromados do escapamento, definitivamente, não chegam a incomodar o caráter esportivo da moto.

O painel, visto do ângulo de quem está pilotando, não deixa transparecer o formato aerodinâmico de sua caixa, nem tampouco seu tamanho. Parece mesmo muito compacto e legível e o certo é que trás todas as informações necessárias à perfeita condução da moto.

Ainda falando sobre o design, o que particularmente me agradou nesse novo modelo foi a solução estética adotada para toda a parte traseira da moto. Ali não se vê uma rabeta bem definida, nem a descarga que na versão anterior incomodava o passageiro. A traseira tornou-se leve, minimalista, seguindo uma tendência revigorada radicalmente pelas motocicletas Buell: Não se vê o amortecedor; a ponteira do escapamento é mínima, e posicionada junto à balança traseira; o banco do passageiro termina abruptamente e sobra apenas o prolongamento do pára-lama traseiro (a rabeta) com uma lanterna em leds, os piscas e suporte de placa. O resultado é que, se olhada de perfil, sobressai o largo pneu de 180mm.

Já passava do meio-dia quando sentei na moto e acionei o motor. Pegou fácil, como todas as motos injetadas que já pilotei, mas senti que permanecia “acelerada” por um tempo demasiado longo (quase dois minutos) até voltar a rotação normal. Depois de aquecido o motor, não percebi mais esse comportamento. Engatei a primeira marcha e saí. A primeira (boa) impressão é o bom posicionamento das pernas e braços. O guidão proporciona um posicionamento do corpo excelente para longos percursos. Apesar da moto não possuir carenagem, o piloto fica levemente inclinado para frente, o que ajuda a suportar a ventania quando em velocidades mais altas. Para viagens, achei a altura e formato de seu guidão mais bem resolvidos que na Yamaha FZ-6N e parelhos com o da Suzuki Bandit 650N, suas concorrente diretas. No trânsito urbano, apesar do guidão ser o mais baixo dentre as três, não chega a incomodar, e o conforto permanece.

Acelerei um pouco mais a moto e pude notar que o ruído de seu escapamento está mais grave e mais alto. Com isso passa uma sensação maior de esportividade que o proporcionado pelo modelo anterior, que, de tão silencioso, nem parecia ser de uma moto pronta para disputar arrancadas com as mais esportivas.

Com o mesmo peso da finada CB500, mas quase o dobro da potência, a nova Hornet dá um show de maneabilidade. A frente é leve e a moto inclina com muita facilidade nas curvas, transmitindo bastante segurança ao piloto. Colaboram para isso, certamente, os bons pneus para uso diário, a posição de pilotagem e a distribuição de peso do novo modelo. Apesar de contar com uma nova suspensão invertida na frente (sem possibilidade de regulagens), não notei nenhuma diferença no comportamento desse item em relação à Hornet 2007, no curto trecho em que usei a moto.

Quanto ao motor da nova Hornet, esse é um capítulo à parte. Sendo o mesmo que equipa a Super Sport CBR600RR, mas com potência final reduzida para privilegiar o torque, ele confere à moto a maior parte de seu caráter. Bastante potente para a maioria dos mortais, tem sua melhor faixa de trabalho nas altas rotações, partindo aí das 7.000 RPM. Em função disso, consegue chegar aos 102CV declarados pelo fabricante. Como estava em via pública, não pude sentir tudo o que ele tem a oferecer, mas dentro dos limites de velocidade, é possível notar que, apesar do torque máximo só estar disponível acima de 10.000 RPM, a moto se comporta razoavelmente bem na cidade, quando andamos na casa de 5.000 a 6.000 RPM, fato que pode ser creditado, em parte, ao sistema de alimentação de combustível que aposentou os carburadores. É possível boas retomadas e, sem dúvida, seu desempenho agradará a maior parte de seus proprietários que não desejam uma performance de superesportiva. Trocando as marchas no tempo correto (o câmbio mostrou-se leve e preciso), sem exigir tudo da moto, pude perceber que, tal como o modelo anterior, as rotações do motor crescem uniformemente e, com isso, a moto vai engolindo dezenas e dezenas de metros à sua frente com bastante disposição. No entanto, e para conforto do piloto, ela não assusta. A uniformidade na aceleração passa até a impressão que a moto não tem toda a potência que a fábrica apregoa, mas acredite, eu não pude virar o punho, afinal, estava em via pública. Pelo conta-giros, pude perceber que a faixa “divertida” de rotações ainda estava distante. Assim, deixemos esse comentários sobre esportividade pura para um local de testes mais adequado.

No aspecto freios, nada a reclamar. Apesar da regulagem não estar acertada no dia, eles pararam a moto muito bem, demonstrando bastante sensibilidade. Pelos motivos já apontados, não pude perceber sinais de fadiga ou de tendência ao travamento, já que não foram usados no limite, mas passaram uma boa impressão e mostraram-se adequados ao porte da moto. É esperada para o mês de maio/2008 os opcionais freios ABS de três pistões e o sistema Dual CBS, que virão para dar maior segurança e efetividade aos freios.

Motor, câmbio, freios, conforto, segurança, design... São muitas as variáveis que definem o prazer de pilotar uma moto, e a nova Hornet oferece muitas delas. Nesse rápido contato de 15 minutos com a moto, observei que ela atenderá a uma fatia de mercado compreendida por aquelas pessoas que desejam uma moto potente mas que não querem ter de se deitar sobre o tanque numa posição racing; confortável para o uso diário, sem ter de depender de uma trail (sim! a Hornet enfrenta bem até mesmo nosso péssimo asfalto!); e, que ainda permita viagens com conforto, sem ter de recorrer ao estilo touring ou custom. Resumindo, ela reúne características que a tornam polivalente, própria para o dia-a-dia, sem trazer sofrimento para o piloto; própria também para viagens em asfalto de boa pavimentação.

O preço sugerido pela fábrica beira os R$31.000,00 para essa versão e R$33.000,00 para a versão com ABS e Dual CBS. Diferente da época em que a Hornet foi lançada, hoje conta-se com várias opções de moto nessa faixa de preço, inclusive importadas, o que pode sugerir uma tarefa árdua para a Honda mantê-la em destaque. Ela, contudo, tem atributos para competir com folga nesse nicho de mercado: mais moderna que a atual Suzuki Bandit 650N e mais disponível que as importadas Yamaha Fazer FZ6, Ducati 696 e Triumph Speed Triple.

A Honda acertou a mão com esse modelo. Vamos torcer, para o bem dos consumidores, que a concorrência não deixe barato. Acorda concorrência!

Por Yuri Oliveira

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