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ACIDENTES VIRAM PROBLEMA DE SAÚDE - 02/04/2008

O custo por paciente grave chega a R$ 30 mil. Nos fins de semana, em média, um acidentado chega por hora ao IJF. Em 2007, foram 5.573 atendimentos só de pessoas envolvidas em acidentes com moto. Do total, 52% estavam embriagados

A imprudência, a embriaguez, a falta de habilitação e de capacetes fazem com que motociclistas e passageiros sejam hospitalizados com ferimentos graves

(Foto: EVILÁZIO BEZERRA)

Trinta mil reais é o preço pago pelo Estado por cada motoqueiro acidentado gravemente. O custo é calculado pelas secretarias da saúde do Município e do Estado com base nos casos atendidos pelo Instituto José Frota, para onde vão a grande maioria dos feridos. São levados em conta o custo médio de internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI), R$ 1.500 por dia, e o custo de um leito na enfermaria, R$ 500 por dia. Do total de motoqueiros acidentados que chegam ao IJF, 52% estavam embriagados, 56% não tinham habilitação e quase 60% estavam sem capacete.

"É um agravo muito sério à saúde pública do nosso Estado. Além dos custos para o sistema, o que preocupa muito é a questão da mortandade. O perfil do paciente envolvido em acidentes com motos é de gente jovem. Muitos ficam inválidos quando poderiam ser força de trabalho para o País", analisa o secretário da Saúde do Estado, João Ananias. Em média, 15 pacientes chegam ao IJF após em acidentes em motos. Em 2007, foram 5.573 atendimentos. No fim de semana, são registrados em média 50 casos das 19h da sexta às 7 horas da segunda. Há quase um acidente por hora.

Com o segurança Lindomar da Cruz foi há sete meses. Eram 20 horas de 25 de agosto, um sábado. Ele conta que um carro avançou a preferencial, na avenida Godofredo Maciel. "Ele vinha sem luz pela direita e eu estava na faixa da esquerda. Ele puxou de uma vez e me pegou". Lindomar continua indo ao IJF por causa de problemas causados pelo acidente. O último foi a placa colocada na perda. Conforme o médico Wandemberg Rodrigues, superintendente do IJF, o número de pessoas acidentadas vem causando uma sobrecarga no sistema de saúde. "A população de motociclistas aumenta e, em conseqüência, a de feridos também".

Outro problema é a ocupação de leitos terciários por casos que poderiam ser evitados. "Eles passam a concorrer com pessoas que têm patologias não preveníveis". Wandemberg culpa a violência no trânsito pela agressividade e competição entre motoristas, motociclistas e pedestres. "Eles disputam o espaço e isso causa uma verdadeira tragédia nas ruas e nas estradas". Ele enfatiza que o número de impostos não é suficiente para cobrir o custo dos vitimados. "É um dano social muito grande e toda a população acaba pagando por isso". A motocicleta é utilizada, mas é considerada um meio de transporte inseguro. Não tem cinto de segurança e tem risco de acidente dez vezes maior que o carro.

"A chance de um evento infeliz é muito maior, é previsível. Na verdade, não existem acidentes com motos. O que ocorre são incidentes. Quando há falta de habilitação, capacete e álcool, passa a ser uma certeza". A epidemia da violência no trânsito passou a ser uma questão de saúde pública. Jovens que poderiam estar contribuindo para a sociedade estão morrendo. Do total de pacientes do IJF, 75% vem do Interior, onde não há uma cobrança e uma fiscalização intensa. "Recebemos pacientes de todos os locais. Em geral, como não usam o capacete, sofrem traumatismo craniano ou lesão na face. Como costumam andar descalços, têm até amputações no próprio local do acidente", destaca Wandemberg.

QUANTO CUSTA PARA O GOVERNO

SAÚDE

- R$ 1.500 por dia de internação na UTI
- R$ 500 por dia de internação em um leito na enfermaria
- Total gasto em média por paciente grave: R$ 30 mil (15 dias em UTI + 15 dias na enfermaria)
- Em 2007, foram 5.573 atendimentos de acidentados em motos no IJF. Em média, 15 por dia.
- No fim de semana, são registrados em média 50 casos das 19h da sexta às 7 horas da segunda. Há quase um acidente por hora.
- Do total de pacientes do IJF, 75% vem do Interior, onde não há uma cobrança e uma fiscalização intensa.

PREVIDÊNCIA

Não há dados específicos de acidentes com motos. Em casos de acidentes de trabalho, onde estão incluídas as estatísticas do percurso de casa ao local do emprego, foram 13.650 benefícios somente no Ceará em 2006. Destes, 400 ocorreram em área rural. Esse total equivale a um gasto de R$ 64.275.644,16, sendo R$ 1.407.897,58 em área rural.

Conforme a lei nº 9.032/95, o auxílio-acidente previdenciário, espécie 36, é para o segurado que, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, sofra redução de capacidade funcional. É pago a título de indenização e corresponde a 50% do salário-de-benefício do segurado.

DADOS PREOCUPANTES

Do total de motoqueiros acidentados que chegam ao IJF:
52% estavam embriagados
56% não tinham habilitação
60% estavam sem capacete

O QUE O MOTOQUEIRO PAGA ANUALMENTE

SEGURO OBRIGATÓRIO: R$ 255 (de um carro pequeno é R$ 84,72).
IPVA: VARIA DE ACORDO COM O VALOR DA MOTOCICLETA

MATÉRIA PUBLICADA NO DIARIO DO NORDESTE – REPORTAGEM Yanna Guimarães

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