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YAMAHA MT - 03 - 26/03/2008

Aguardada pelos motociclistas brasileiros há pelo menos um ano, e alardeada pela montadora desde o último Salão Duas Rodas, ocorrido em São Paulo no último mês de outubro, chega, enfim, ao mercado consumidor, a nova Yamaha MT-03. Apresentada em Fortaleza no último dia 11 de março de 2008, a moto pôde ser testada por todos que se fizeram presentes ao seu lançamento.

Na cor preta, única disponível atualmente para o mercado brasileiro, a moto tem um visual moderno e agressivo. Contam para isso o seu farol exclusivo, seu belo e pequeno painel e o escandaloso amortecedor montado na lateral do quadro, bem à mostra.

Essas e outras características foram suficientes para que boa parte das publicações especializadas não chegassem a um acordo sobre a categoria a qual a moto pertence. Sugeriram, na maior parte das vezes, uma street fighter ou uma supermotard.  De minha parte, eu a considero uma simples e bonita naked. A Yamaha Mt-03 não chegou para ser um canhão de velocidade, nem veio com suspensões de longo curso para enfrentar obstáculos com facilidade; logo, não se encaixa naquelas duas primeira categorias. Mas ponham-na para rodar ao lado de uma Honda CB-500 ou Suzuki GS-500 e veremos que é ali, entre aquelas naked, que ela se posiciona bem.

Deixando de lado essas comparações de estilo, falemos sobre a moto. A MT-03 é uma aposta da Yamaha para preencher uma lacuna no mercado de motos médias voltadas para utilização no asfalto. Até então a Yamaha só havia oferecido algo parecido por aqui com a finada RD350-LC, que saiu de linha há pelo menos 15 anos. Nesse espaço de tempo a empresa foi representada entre as médias cilindradas unicamente pela linha XT (Teneré, 600R e 660R) de motos todo terreno. Em modelos exclusivos para o asfalto, a Yamaha abriu o caminho para a concorrência reinar sem ela.

Num mercado em que Honda Hornet e Suzuki Bandit oferecem motores de capacidade cúbica similar, mas com a aura mágica dos 4 cilindros, a MT-03 chega com uma proposta diferente: empregar um motor monocilíndrico de 48CV e 5,9Kgfm de torque,  para levar seu ilustre condutor por vias urbanas com desenvoltura, assistido por um câmbio de cinco marchas... isto é, desde que as vias urbanas estejam com a pavimentação em dia, pois, apesar de trazer o coração da XT660R em seu peito, as suspensões de pequeno curso e os pneus de perfil baixo limitam o conforto da MT-03 às vias de boa pavimentação.

Bem... mas quem disse que andar de moto é só conforto!? A MT-03, ainda assim, oferece boa postura de condução para aqueles passeios curtos e é uma moto competente para enfrentar o trânsito pesado das grandes cidades, graças à sua maneabilidade, proporcionada por suas dimensões reduzidas, banco de piloto a apenas 80cm do chão, e ao largo guidão, além do – olha ele aí de novo! – bom torque. 

Com isso, já dá pra se divertir um bocado com ela, pois como sabido, seu motor oriundo da XT660R oferece uma faixa de aproveitamento que atende à maior parte de nossas necessidades. Só sentiremos falta desse motor se quisermos imprimir uma velocidade para a qual a moto não foi projetada, e isso apenas será percebido se o condutor tiver a coragem de acelerar a mais de 170Km/h. Ele não conseguiria durar muito tempo nessa condição, a não ser que encaixasse o tronco sobre o tanque de combustível. O vento na cara a essa velocidade não é das coisas mais agradáveis.

Mas naked é isso mesmo! Moto feita pra desfilar e para arrancadas, muito mais que para longas viagens ou altas velocidades. Nesse ponto, pode-se dizer que a Yamaha acertou no produto, no entanto, a minha opinião pessoal é de que um bicilíndrico, com seu funcionamento mais liso que o mono, cairia perfeitamente para a MT-03 (A Yamaha TDM900 já teria um prontinho!).

Ok! A moto chega a 170Km/h e acelera em cerca de 5,0s quando a meta é atingir os 100Km/h. Nada mal, hein!? Para parar, a confiança é depositada num conjunto de freios à altura de sua proposta, composto por duplo disco dianteiro de 298mm, com pinças de dois pistões e disco traseiro com pinça simples. Além disso, é digna de nota a estabilidade exemplar em curvas de raio curto, graças, mais uma vez, ao seu reduzido entre-eixos, sua suspensão levemente rígida e pneus.

Quanto ao consumo, melhor não se preocupar com o que vai gastar: devido, possivelmente, às diferentes relações de transmissão em relação à XT e alterações no escapamento, ela bebe mais que sua prima trail. Alguns testes já publicados revelam média de consumo na casa dos 18km/l.

Resumindo: Se você, leitor, está interessado em adquirir uma moto bonita, com visual invocado, com potência suficiente para torná-la plenamente utilizável em 80% de seus destinos (A exceção são as estradas não pavimentadas e as longas viagens), considere a aquisição desse modelo. É prazer à baixas e médias velocidades que você não terá facilmente em outras motos de uso urbano. Separe de suas reservas R$ 27.000,00 para a aquisição da moto e mais uns R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00 para as despesas de frete, emplacamento, seguro, etc.

Por Yuri Oliveira

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