Em 2003 a motocicleta Twister (250cc) da Honda começou a ser utilizada tanto no Brasileiro de motovelocidade como aqui no Ceará na nossa copa regional. A diferença entre um campeonato e outro era que aqui no Ceará utilizávamos uma carenagem, que foi idealizada e construída aqui mesmo em Fortaleza. Hoje essa mesma carenagem, depois de homologada pela Confederação Brasileira de Motociclismo – CBM, é utilizada por várias motocicletas que participam do Campeonato Brasileiro.
O regulamento do campeonato determinava que a moto tinha que ser a moto mais original possível, limitando bastante a atuação dos preparadores. Mesmo com essas limitações de regulamento, para quem estava acostumado com as valentes 125cc, as Twister’s eram um salto bastante significativo. Primeiro por causa do motor da Twister, que tem quase o dobro da potência, e isso significa um “empurrão” na hora de reacelerar. Em relação às suspensões, a Twister é bem mais evoluída, principalmente as suspensões traseiras. Em termos de custos, a diferença logicamente aumentou, mas somente por causa do preço dos pneus da Twister, que são bem mais caros que os da 125cc. Exceto isso, as Twister utilizadas no campeonato de motovelocidade não apresentaram nenhum problema mecânico.
Dessa forma, para quem gosta de motovelocidade e gostaria de ter uma motocicleta que seja acessível, para se divertir com os amigos nas curvas do autódromo, a Twister é a moto indicada, tanto em termos custos de aquisição como de manutenção. As outras opções seriam a CG125 (ideal para quem está começando), a CB500 (muito utilizada no Brasileiro de Motovelocidade, mas saiu da linha de produção e custava o dobro da Twister), a novíssima Hornet de 600cc (uma boa opção, mas o preço...) e finalizando as esportivas de verdade de 600cc e 1000cc, essas somente para alguns poucos felizardos.
Inovações 2003
Mesmo com as limitações do regulamento a nossa Twister tinha uns detalhes que a diferenciavam das demais, primeiro o mais visível: o escape feito pelo Júlio Sena. Saindo por baixo do banco e dando além de um toque de classe um pouco mais de potência (mais de 1HP). Também no escape era utilizada uma manta que mantinha o escape sempre aquecido, auxiliando assim na saída dos gases. Para finalizar as “inovações” do escape, era utilizada uma sonda lambda para o acerto da carburação, explicando melhor: nos carros com injeção eletrônica, a sonda lambda é utilizada para “dizer” o quanto de oxigênio está sendo queimado (mistura rica ou pobre). No caso da motocicleta utiliza-se um multímetro para “ler” a mistura (rica ou pobre), simplificando assim o acerto da carburação, evitando ficar desmontando o carburador e trocando agulhas. Simples, prático e barato.
Mais inovações
Um dos detalhes mais interessantes dessa moto era o sistema de telemetria, “emprestado” de um sistema utilizado para rastreamento de veículos criado por uma empresa cearense (Loop tecnologia). Esse sistema armazenava (e podia transmitir as informações coletadas em tempo real para um laptop), alguns dados da motocicleta: velocidade instantânea, rotação do motor e o uso dos freios. Depois dos treinos e das competições as informações armazenadas eram lidas no computador ficando assim registrando uma série de informações, tal como a velocidade final alcançada de 174 km/j no final da retão.
Em 2004
Infelizmente não tivemos campeonato de motovelocidade e o desenvolvimento da moto acabou ficando parado, mas mesmo assim mantivemos a Twister em ação e pelo menos uma vez ao mês estávamos “rodando” no autódromo. Quem gosta de surf, pega a sua prancha e vai à praia atrás de ondas, nós que gostamos de motovelocidade e temos o “vício” da velocidade nas veias vamos para o autódromo.
Inovações em 2005.
Como diz o ditado: “Pedra que rola não cria limo”, dessa forma resolvemos reativar o projeto de desenvolver a Twister e transformá-la o mais próximo possível de uma moto de competição independente da existência de campeonatos de motovelocidade.
Melhorando o que já está bom
Começamos com o acerto das suspensões. Nesse item duas novidades: a primeira a válvula fabricada pela Moto Sport, que simplifica a operação de regular a suspensão deixando-a mais dura ou mais mole. Anteriormente se quiséssemos endurecer um pouco a suspensão era necessário desmontar a suspensão dianteira e colocar “calços”, com a utilização dessa válvula basta uma parada no box, uma chave de fenda e pronto! Suspensão ajustada.
A segunda alteração foi a preparação completa da suspensão, agora que contamos com representantes Race Tech em Fortaleza, seria imperdoável não contarmos com essa tecnologia em nossa moto.
A terceira alteração foi a instalação de uma mangueira de freio Aeroquip que dá uma melhorada sensível na hora da freada, evitando a deformação da mangueira original na hora daquela freiada “valha-me Deus”. E por último o visual, resolvemos utilizar as cores da equipe de 2002 (Honda Pons) do Alexandre Barros, nosso representante no Mundial de Motovelocidade.
O que está faltando?
Na nossa programação de melhoria do desempenho da Twister estão faltando as seguintes alterações: preparação do cabeçote; aumento da cilindrada; utilização de mais sensores para a coleta de mais informações no sistema de telemetria (acompanhamento dos dados emitidos pela sonda lambda para o acerto da carburação e o trabalho efetuado pela suspensão); e a melhoria do sistema de freio utilizando um sistema de freios radial.
Como anda
Depois de todas essas alterações, o que já era bom ficou melhor. Com o acerto da suspensão a moto ficou mais fácil e segura de se pilotar, os freios, com a utilização da mangueira aeroquip ficaram mais rígidos. Dessa forma, não é difícil passar o dia no autódromo nessa atividade. Neste primeiro momento estamos nos concentrando em fazer quilometragem para coletar informações do comportamento da Twister depois dessas alterações. |