Começamos o a ano de 2007 em grande estilo: entrevistamos TEODORICO NETO - um dos grandes nomes do fora-de-estrada cearense - piloto de motocross e enduro desde o início do esporte em nossa terra. Um exemplo de amor ao esporte, pois mesmo depois de vinte anos no esporte ainda mantém a vontade e agarra de um grande campeão.
MR: a nossa pergunta de praxe, você é cearense?
TN: Sou de Senador Pompeu.
MR: E a sua história com as motos como começou?
TN: Bom, na realidade eu comecei no bicicross, que me deu uma base muito boa para o cross e para o enduro. A minha primeira moto foi uma XL 125 e eu primeiramente fui para o enduro, onde participei do Enduro da Costa do Sol, em Icaraí. E Ganhei!
MR: Verdade? Fantástico. Já começou botando moral. Quando foi em isso?
TN: Em 1985. E com essa vitória eu me animei.
MR: Você é mais conhecido no motocross do que no Enduro.
TN: Eu me vejo mais como piloto de motocross, o enduro é um complemento, é mais light. É que na época quase não existia o motocross. E nessa época eu conheci o Valdson que já fazia Enduro e acabei fazendo Enduro.

MR: E quem eram os participantes daquela época?
TN: Tinha muita gente boa, como o Gabriel, Sólon e o Rogério, que hoje são grandes nomes do esporte cearense. Fiz mais uns três ou quatro enduros e depois comecei com o motocross.
MR: E no motocross quem eram os nomes da época?
TN: Bom, já faz bastante tempo e a gente acaba esquecendo alguns nomes, mas tinha o meu amigo Russo (que até hoje participa de provas e também é um dos organizadores da Copa Zé Walter de Motocross), o Riamburgo Ximenes, o Wanderley Barreto (que foi quem trouxe o motocross para o Ceará e que estava parando nessa época) e também o Cláudio Ceará, o Carlos Henrique, o Sérgio Rebouças, o Antonio Parambu, o Cláudio “Baixim”, entre outros. Isso aqui no Ceará e tinha o pessoal da Paraíba e do Rio Grande do Norte, que eram osso duro de roer.
MR: E como foi a sua estréia no motocross?
TN: Eu já comecei na categoria B. Tinha a de iniciantes e a categoria A, que eram os feras. Isso foi em 86 na Copa Havoline Texaco de motocross, acabei ficando em terceiro lugar. Se eu tivesse chegado ao terceiro lugar na última etapa teria ganhado o campeonato, mas acabei caindo, cheguei em quarto lugar e o título escapou.
MR: Que moto você usava na época?
TN: Era uma MX 180 da Yamaha. Depois tive uma WXT, naquela época era só Agrale, que tanto andava como quebrava. Passei uns dois anos com essa moto, depois a CR125 e a YZ 250.
MR: E onde vocês corriam?
TN: Praticamente em todo o Nordeste, a gente tava sempre viajando. Tanto para o interior do Ceará como para outros estados. Acho que só não corri na Bahia, Alagoas e Sergipe. Naquela época não tinha muito estrutura, Federação, mas era bem organizado.
MR: E o apelido vaca louca?
TN: Foi o Serginho narrador das corridas de motocross que colocou, é coisa antiga.
MR: Pelas fotos que temos aqui a fase áurea do motocross, pelo menos aqui na capital foi em 86 na pista de Jenipabu.
TN: É verdade, as corridas eram maravilhosas, muitos pilotos e um público maravilhoso. Tenho muita saudade daquela época. Tinha também umas corridas no anel viário que eram lotadas. Só vendo para crer. E vale ressaltar que a imprensa naquela época dava uma cobertura bem maior do que hoje.
MR: É verdade, por isso temos a MOTO REVISTA para sanar essa falta. Você chegou a ganhar algum campeonato?
TN: Sim, em 89. Corri até 91, quando tive um acidente em um treino de motocross muito sério e fiquei parado até 2000, quando retornei aos poucos.
MR: Foi sério assim esse acidente?
TN: Foi, passei 10 dias na UTI, e eu quase fiquei paralítico de uma perna e o médico disse que eu não deveria nunca mais andar de moto e principalmente competir. E também teve o fato de eu estar namorando sério, queria casar, tinha também o trabalho, essas coisas.
MR: Mas você acabou voltando.
TN: Pois é, eu amo motocicletas e também o esporte. Acabei voltando em 2000, me encontrei com o Valdson e ele me deu uma força, a idéia inicial era fazer umas trilhas de leve e nessa história acabei me empolgando de novo. Para você ter uma idéia em 2002 e 2003 eu fui o único piloto a participar de todas as categorias: motocross, enduro FIM, Regularidade e Rali. Acho que foi para compensar o tempo que passei parado.
MR: E como foi essa volta em termos de resultados?
TN: Fui vice-campeão de Rali, vice campeão de Enduro FIM e campeão cearense de motocross em 2003 CAT B. E sempre entre os três primeiros nos outros anos.
MR: Você se acidentou novamente recentemente...
TN: É verdade, foi em Horizonte em uma corrida de motocross e foi feio o acidente, o médico me chamou bastante atenção para o risco de continuar e pode complicar bastante a minha coluna e o resto.. Bom o negócio foi sério e acho que vou seguir o conselho do médico.
MR: Você vai realmente parar?
TN: Não sei, não queria parar totalmente. Estava pensando em participar da categoria Supermoto ou Motovelocidade, que acho que são menos perigosas.
MR: Supermoto e motovelocidade? Seria um prazer vê-lo rodando no autódromo. Foi um prazer conversar com você e gostaríamos de desejar sucesso na sua trajetória esportiva e profissional. |