ENTREVISTA - CLARK LEITÃO - 18/12/2006

Dando continuidade a seqüência de entrevistas com personalidades que trabalharam e/ou trabalham em prol de nosso motociclismo, desta vez trouxemos o Advogado – motociclista, Dr. Clarck Leitão, aliás, mais motociclista do que advogado, de acordo com suas próprias palavras. Nosso entrevistado foi o homem que impulsionou o mototurismo em nosso Estado, através da fundação do Moto-clube ESQUADRÃO DO ASFALTO. Entidade que chegou a contar com um quadro de 76 (setenta e seis) associados.

MR: Como foi sua iniciação com as motos?
CL: Bem, eu comecei a pilotar motos quando tinha a idade de 17 anos. Na verdade a moto nem era de minha propriedade, ela era de um amigo meu, o Bebeto Barruada, era uma HONDA CB 50, para a nova geração que não chegou a conhecer, na década de setenta eram importadas essas pequenas motos, cujo motor era 4 tempos.

MR: E a segunda moto?
CL: Minha segunda moto, no caso minha mesmo seria a primeira, foi uma HONDA CB 350. Esta moto tem uma estória interessante. Nessa época eu estava me graduando em Letras, ai conversando com meu pai, ele sugeriu que eu fizesse vestibular para Direito. Eu, respondi que não iria fazer, pois já estava concretizando o curso de Letras e não fazia sentido tentar mais um vestibular. Foi aí, que ele me fez uma provocação, dizendo “você não faz o vestibular por que não passa”. Eu de imediato retruquei, perguntando-lhe o que me daria se eu conseguisse passar? Ele falou que eu podia pedir qualquer coisa. Por coincidência eu estava folheando uma revista com uma propagando da HONDA, mostrei-lhe a foto da moto, ele concordou. Daí me escrevi acabei ficando na 13a (décima terceira) colocação e ganhei uma moto. A partir desta passei por vários outros modelos até a minha atual paixão uma HARLEY-DAVIDSON, modelo Heritage Softail Classic.

MR: Como surgiu a idéia do Moto-clube?
CL: Eu e um grupo de amigos viajamos até Natal, no Rio Grande do Norte, e lá conhecemos o pessoal que estava organizando o primeiro encontro de motocicletas de Natal, que deveria realizar-se em setembro de 1999. Eles nos incentivaram a criar um moto-clube, para no ano seguinte participar do evento. No retorno a Fortaleza, estávamos almoçando em Mossoró, e surgiu novamente o tema, conversa vai, conversa vem, terminamos por bater o martelo, isto é, decidimos criar o moto-clube. Por aclamação me colocaram como primeiro presidente, o moto-clube nem nome tinha ainda. Decidimos, que cada participante poderia participar da escolha, bastaria sugerir algum nome e a maioria decidiria. Após inúmeras sugestões, ESQUADRÃO DO ASFALTO, foi o escolhido.

MR: Como foi a sistemática para angariar sócios?
CL: Cada membro da diretoria ficou encarregado de convidar amigos motociclistas, divulgamos também através da televisão e jornais e passamos a nos reunir toda quinta-feira na Beira-mar, mais precisamente em frente uma sorveteria, próximo ao Clube Náutico. Essa divulgação atraiu diversos proprietários de motocicletas, os quais compareceram a 1a Assembléia, realizada nas dependências da sorveteria, mencionada anteriormente e assim surgiu o ESQUADRÃO DO ASFALTO.

MR: Você lembra de algum episódio marcante de sua administração?
CL: Ocorreram vários episódios, porém aquele que acredito ter sido o mais interessante de se relatar, foi nossa participação no 1o NATAL MOTOCYCLE, no ano de 1999. Nesse evento o nosso moto-clube, embora ainda jovem, recém-nascido, foi quem compareceu com o maior número de filiados, algo em torno de 70 (setenta) sócios, viajou de Fortaleza a Natal, foi espetacular.

MR: Conte-nos sua participação no renascimento da Moto-Velocidade.
CL: Isso foi em 2000. Nossa contribuição para o renascimento da Moto-Velocidade derivou da nossa intenção de levar o pessoal que estava realizando “pegas” nas ruas, para o circuito do Eusébio. Nós do ESQUADRÃO lançamos a idéia de comprar uma dezena de motos, em um leilão, prepará-las para pista e com isso disponibilizar para aqueles sócios que desejassem acelerar. Infelizmente a idéia inicial não vingou, porém, dois sócios – Adoniram e Ingo, continuaram a trabalhar a idéia. Foi quando a Fort Motos, através do Sr. Welington Júnior, após diversas reuniões, concordou em comercializar motos Titan, desprovidas de acessórios, tipo espelhos, sinaleiras, farol, assento, pára-lamas, etc., com isso reduzindo consideravelmente seu custo de aquisição, possibilitando portanto a aquisição das mesmas pelos futuros pilotos.

MR: Quais seus planos para o futuro?
CL: Continuar curtindo minha HARLEY, passeando nos finais de semana com amigos motociclistas, comprar quem sabe uma outra HARLEY, modelo V ROD.

MR: Você já pensou em fundar um moto-clube exclusivo para proprietários de HARLEY?
CL: Já pensei umas mil vezes, porém requer muita dedicação, muito trabalho em programar viagens, então com falei anteriormente hoje prefiro realizar viagens em pequenos grupos.

MR:Qual a moto que você tem hoje?
CL:Uma Harley.

MR:E porque Harley?
CL: Eu tinha uma Kawasaki 750 e um amigo me pediu para dar umas voltas na moto dele que estava parada e gostei tanto dela que acabei comprando-a.

MR:Mas não era você que gozava com os proprietários das Harley?
CL: Pois é, isso antes de conhecê-la bem. Ela tem a fama de vazar óleo e soltar os parafusos por causa da vibração. Isso as antigas, pois as novas não têm esses problemas. A minha eu mesmo faço a manutenção básica lá em casa.

MR: Você tem curso de mecânica?
CL:Não, mas já tive uma oficina e aprendi a fazer muita coisa, só não abro o motor mas o resto eu dou um jeito. Até já combinei com o Andrade de fazermos um curso no Senai, mas até agora não deu certo.

MR: O que ficou da experiência de pertencer a um moto clube?
CL: fiz inúmeras amizades que são mantidas até hoje.

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