ENTREVISTA CARLINHOS MAURÍCIO - RETMOL - 24/10/2006

O Carlinhos é bastante conhecido, como piloto e como incentivador do esporte, daqueles que praticavam motocross na década de 80. Por isso, a nossa conversa com ele foi agradável. Hoje, empresário de sucesso, pessoa simples e bem relacionada no meio motociclístico, diretor da Retmol e da Planeta Motos, continua a apoiar o esporte. Recentemente voltou “a andar de motos” e às competições, mas precisamente ao enduro de regularidade. Acompanhe conosco a trajetória desse goiano, de sangue cearense, que nos conta a sua trajetória como esportista e homem de negócios.

MR: Quando começou o seu interesse por motos?
CM: Em 81, eu tinha 21 anos. Na época o João, meu primo, montou uma loja, a Joni Motos. Muita gente a freqüentava e como eu andava por lá acabei me entrosando e acabei comprando uma moto.
MR: Mas já curtia moto?
CM: Não, na época eu não tinha nada a ver com motos, o Joni que tinha uma modelo “street”, acho que era uma Suzuki 100.
MR: E qual foi a sua primeira moto?
CM: Foi uma DT 180 vermelha, aquela da balança redonda.
MR: E o que rolava naquela época no esporte?
CM: No motocross tinha o Wanderley, que foi o primeiro piloto de motocross aqui do Ceará, e saia bastante notícias na imprensa sobre as corridas dele. Ele corria de CR e participava de provas no nordeste.
MR: Parece que naquela época o esporte era mais divulgado que hoje.
CM: Com certeza.
MR: E quando começou o interesse por trilhas e motocross?
CM: Em 82 tinha uma turma que fazia trilha, o pessoal do Galdino Gabriel, e o nosso grupo, que acabou comprando umas DT’s e começamos a fazer também umas trilhas e depois umas “brincadeiras”um pequeno motocross lá no Zé do Peixe (Praia do Futuro).
MR: Foi por influência do Wanderley, que era um destaque na época?
CM: De certa forma sim, mas as nossas motos eram nacionais. Nós fomos a segunda geração do motocross cearense.
MR: E você começou logo a correr também?
CM: Não, eu participava de vez em quando, eu comecei a correr quando a pista era na Antonio Sales. Juntava muita gente para assistir as corridas.
MR: Quem corria naquela época?
CM: Eu, Joni, Sérgio Rebouças, o Sérgio Porto, o Roberto Gurgel, José Flávio, Raul Gonzalez, o Carlinhos cruzeiro, o Jr. cai-cai, Anacleto, Afrânio, Novarino, Roberto “Pequinez”, Eudes Dias e muitos outros.
MR: E a turma do Galdino Gabriel?
CM: Eles eram voltados para o enduro, nós, mais ligados no motocross.
MR: E quanto tempo você correu?
CM: Pouco tempo, porque houve um acidente muito sério com o Joni, e como nós somo primos, houve uma pressão muito grande da família.
MR: Como foi o acidente?
CM: Eu não me lembro bem, só sei que foi logo após a largada, em um treino, coisa de corrida. Ele caiu, no salto, e levantou, e veio alguém saltando e a moto bateu na cabeça dele. Foi muito chato.
MR: Quem organizava as corridas?
CM: O Dunas Cross Clube, que era formado por mim, o Joni, Eudes Dias, Henrique Ferreira, o Egberto pintor, o Riamburgo, Franzé, o Sérgio Rebouças e outros. Eu fui o presidente na época.
MR: Aonde vocês corriam?
CM: Algumas corridas aqui em Fortaleza e algumas no interior, principalmente em Sobral.
MR: Tinha outros motoclubes naquela época?
CM:Tinha um, mais antigo, do Zé de Sousa, que foi um grande incentivador do esporte. As primeiras reuniões foram com ele. E, também, o do pessoal do enduro, o Trail Clube de Fortaleza.
MR: É, o Zé de Sousa, é um grande nome do motociclismo cearense, ainda vamos entrevistá-lo.
CM: Depois que a gente parou, o Joni ficou acompanhando o campeonato de motocross e deu uma força para o Cláudio Ceará. Continuamos na organização. Eu fui procurado pelo pessoal da Hollywood, e fizemos uma prova em Fortaleza, com toda estrutura. Era uma estrutura muito profissional, era uma coisa de alto nível. Saiam manchetes no jornal, era uma coisa inacreditável.
MR: Quem mais incentivava o esporte aqui em Fortaleza?
CM: Entre eles tinha o Zé de Souza e o Agapito, da Motal, na Domingos Olímpio com General Sampaio, da Yamaha. Que eram grandes incentivadores do esporte
MR: Não chegamos a ver as corridas daquela época, mas todos falam, da pista de Jenipabu. E pelas fotos que vimos, ali foi a época áurea do motocross cearense. Quem foi o responsável por há boxes ela?
CM: O Dunas Cross clube e o Henrique Jorge Ferreira, filho do João Ferreira, que cedeu o terreno e fez a pista junto conosco. Era um circuito com ótima estrutura, tinha boxes, duchas p/ banho, torre de cronometragem, toda cercada, era muito boa. Vinha muita gente assistir às corridas.
MR: Agora vamos falar de negócios. Quando você começou trabalhar com motos?
CM: Como falei anteriormente, eu comecei a trabalhar com o Joni. Em 1990, um grande amigo nosso, o Luiz, me convidou para colocarmos uma retífica para motos. Como ele já tinha trabalhado na Honda e tinha um bom conhecimento dessa parte de retífica, acabei aceitando e aí fundamos a Retmol. Mais tarde o Joni veio trabalhar comigo.
MR: E como era o mercado de retífica de motos naquela época?
CM: Na época só a Moto Art trabalhava com retífica para motos e não existiam máquinas nacionais para retifica de motos, arranjamos uma maquina japonesa, em são Paulo, e com isso começamos. Fomos crescendo e comprando outras máquinas. O nosso primeiro endereço foi na Av. José Bastos, seis meses depois compramos o prédio, na Clarindo de Queiroz, onde até hoje estamos.
MR: Foi um negócio que deu certo. E quando começou a Planeta Motos?
CM: Em 1998, montamos a Planeta Motos, que trabalha com peças para motos em geral, principalmente as 125c.
MR: Você pensa em abrir novas lojas aqui em Fortaleza ou no interior?
CM: No momento não. A gente acompanhou o crescimento do mercado, nesses 17 anos, que cresceu bastante, mas o mercado sempre foi muito difícil aqui em Fortaleza, por causa da grande e complicada concorrência. As margens de lucros são baixas. Nós crescemos, mas com dificuldade, um passo por vez, é assim que trabalhamos. Nesse período muita gente abriu e fechou. Para quem trabalha com peças sempre foi muito difícil, pois o pessoal das 125, que é em quem sustenta o mercado, tem o poder aquisitivo baixo. Por causa das dificuldades, apesar do otimismo, sempre trabalhamos com cautela.
MR: E quanto ao serviço de retífica?
CM: A prestação de serviços é uma coisa boa, a retifica na linha de motos é bem pequena, diferente dos carros. Nas motos é só retífica de cilindro, cabeçote e outros pequenos serviços. Hoje já tem retífica no estado todo. A Retmol é um referencial pelo trabalho que a gente fez durante todos esses anos, nós recebemos serviços do estado todo. Vale ressaltar também a ajuda que meu pai, sr. Manoel, tem nos dado, apesar da idade, onde temos muito a agradecer.
MR: E a participação em feiras no sul do país?
CM: Bom, nós procuramos está em contato pessoal com nossos fornecedores, todo ano nós participamos das feiras em São Paulo. No ano passado fomos ao salão das Duas Rodas, e esse ano tem o Salão internacional que é organizado pela Anfamoto, em outubro. As máquinas têm uma vida útil e a gente tem que renovar o equipamento. Você sabe como é o mercado hoje, se não tivermos atualizados a concorrência vem e lhe passa para trás. Hoje até as retíficas de carros fazem serviços para motocicletas, embora seja mais caro, e existem máquinas de fabricação nacional, e estão mais baratas do que quando começamos.
MR: Bom saber que as coisas estão bem, e por que, depois de tanto tempo, você resolveu voltar a andar de moto?
CM: Há uns dois anos atrás, mais ou menos, compramos duas motos DT’s, apenas para passear pelas praias, nas dunas. Eu e o Joni, recentemente montamos duas motos XR 200 para participar dos enduros a convite do Laércio. Eu acabei participando de uma etapa e me empolguei.
MR: E pretende fazer a temporada toda?
CM: A intenção é essa.
MR: A idéia de Moto Revista é mostrar a história do motociclismo cearense. Alguma mensagem para os seus amigos daquela época?
CM: Gostaria de avisar ao pessoal daquela época, que acessem o site da revista de vocês, pois vão ver muita coisa interessante, reportagens, resultados de provas, fotos, etc.. Aviso também que estamos marcando um encontro dessa turma, para o segundo semestre desse ano, em local e data à combinar. Um abraço a todos.
MR: Obrigada e boa sorte.

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