Valdson é um nome muito conhecido entre os Enduristas e desde que começamos a entrevistar pessoas de destaque do motociclismo alguém sempre perguntava se já o tínhamos entrevistado e de tanto falarem (bem) resolvemos conhecê-lo. Nosso contato foi muito agradável, pois conversar de moto com quem entende e gosta é sempre um prazer. O Valdson, junto com o Gabriel Galdino, Franz George e outros, é um dos responsáveis pelo aparecimento e crescimento do enduro no Ceará. Conheça agora o multi-campeão e um destaque do esporte Cearense:
MR: Quando você começou a participar de enduros?
VALDSON: Eu comecei em 85. Na época do Gabriel Galdino, Franz George e Nelson Bezerra, que é fotógrafo e uma lenda viva do trail. O Pedro Eduardo, que era o meu chefe na Secrel, na empresa que eu trabalhava, foi quem me levou para esse negócio.
MR: Quantos anos você tem?
VALDSON: Eu tenho 40. Tudo começou em 84 com o surgimento dos primeiros enduros. Em minha primeira participação eu atuei junto à organização na apuração dos resultados. O Pedro Eduardo elaborou o programa de apuração e eu fui lá para ajudar e vi aquele movimento, os pilotos chegando todos enlameados, as motos nem se fala no estado em chegavam, completamente encobertas de lama, mas, o interessante era perceber a felicidade estampada nos rostos dos participantes. Aquilo me entusiasmou.
MR: Como foi sua iniciação com motos?
VALDSON: Minha experiência com motos vem das lambretas, pois meu pai era possuidor de uma e foi nela que aprendi a pilotar. Nesta época tinha 16 anos.
MR: Bem, voltando ao enduro, como você realmente começou?
VALDSON: Pois é. O Pedro Eduardo começou a me incentivar. Eu tinha um XL 125, que foi a minha primeira moto. O pessoal das trilhas tinha até um apelido para ela: Lucélia Santos.
MR: Por quê?
VALDSON: Porque tinha um filme na época com a Lucélia Santos: Bonitinha, mas ordinária. Era uma moto com designer bonito, porém, fraquinha de motor, mas como era a moto que eu tinha a época, resolvi encarar minha primeira trilha, me apaixonei e nunca mais larguei. O ambiente que cercou tudo me marcou, primeiro a gente programou o ponto de encontro na casa do Pedro, onde conheci outras pessoas, outras cabeças, falando assuntos os quais eu não estava habituado.
MR: O pessoal do enduro que eu conheço muitos já tiveram algum acidente e você?
VALDSON: Não, eu não. O Enduro de Regularidade, as pessoas acham que é mais fácil, pois não é velocidade, mas os caras esquecem que as trilhas não são conhecidas e andam numa velocidade acima do seu limite. Eu já ganhei muito enduro, acho que ando rápido.
MR: Você ainda faz enduro?
VALDSON: Faço. Inclusive participei da primeira etapa do campeonato em Maracanaú e ganhei na categoria Over 40, que é para o pessoal acima dos 40 anos.
MR: Você foi para o Piocerá esse ano?
VALDSON: Não, foi a primeira vez que não fui e também teve um tal de Cerapião (com provas também no Maranhão) que o Cordão inventou, e que deu 20 e poucas motos, foi um fiasco. Não era uma prova de regularidade, um dia tinha regularidade no outro tinha Enduro FIM, saiu mesclando e ninguém gostou disso, acho que só dois ou três pilotos cearenses participaram, o Riamburgo, o Régis. Acho que só foram dois. Eu comecei no mesmo ano que o Riamburgo Ximenes.
MR: E por que você não foi para o Piocerá?
VALDSON: Por que a motivação está diminuindo, para aquele stress que é o Piocerá. Tem o stress da preparação da moto, apoio e tudo que gira em torno de quem quer participar para ganhar, não somente participar.
MR: Mas você já deveria está relaxado!
VALDSON: Pois é. Isso é que estou querendo ver esse ano na categoria over 40. No Piocerá eu sempre fui nas principais categorias. Eu quase sempre ficava entre os cinco primeiros, mas nunca venci uma categoria. Já cheguei em segundo. Na categoria master por três vezes estive a ponto de ganhar, liderei, porém, sempre acontecia algo no final...
MR: Qual a moto que você utiliza hoje para competir?
VALDSON: Uma DR 400Z da Suzuki.
MR: E é a melhor?
VALDSON: Não.
MR: Qual seria a moto ideal para você?
VALDSON: O meu sonho hoje é uma WR 250 com motor de 4 tempos da Yamaha e partida elétrica. Eu acho que para o Enduro de Regularidade é a moto ideal, para quem faz serra, para quem gosta de trilhas apertadas como eu gosto é a moto certa. Tanto é que na categoria 4 tempos até 250cc no “Six Days”90% eram motos da Yamaha. Estão falando muito da CRF da Honda, inclusive o Solon estava pensando em comprar uma, mas no Piocerá o índice de quebra dessas motos foi alto. A WR 250 da Yamaha vai ser a minha próxima moto.MR: Quantos campeonatos cearenses você já ganhou?
VALDSON: Ganhei seis vezes o Enduro Cearense de Regularidade
MR: E de quais outras competições você participou?
VALDSON: O Enduro da Independência que era o sonho de todo endurista. Acho que foi em 89. Eram umas seiscentas motos participando e eu fui de dupla com o Riamburgo. A gente se deu mal pra caramba e eles colocavam trilhas muito difíceis, a gente largava lá trás e pegava o maior engarrafamento, todo dia tinha isso. Não tinha como andar. Mas foi uma experiência incrível! Também participei do Rally dos Sertões, de Troller, como navegador.
MR: E como piloto você tinha ou tem alguma preparação física especial?
VALDSON: Não. Embora eu praticasse outros esportes quando comecei, como basquete e futebol, não tinha nenhuma preparação física especial.
MR: E hoje, aos 40 anos, sente alguma dificuldade em competir?
VALDSON: Quando se chega à meia idade você compensa a falta do preparo físico com a técnica. .Assim você gasta menos energia. No Enduro de Regularidade você não está sendo exigido o tempo todo. Depois de um trecho difícil sempre tem um trecho para você respirar.
MR: Qual foi a melhor moto que você já teve?
VALDSON: Foi a RMX 250
MR: Você já teve uma moto grande, tipo Custom, Esportiva?
VALDSON: Não. Só gosto de motos de trilha. O Franz George está tentando me convencer para entrar no clube da XT. Mas é outro espírito.
MR: Qual a sua maior frustração em relação ao esporte?
VALDSON: Não tenho. O esporte só me deu felicidades.
MR: Então qual a sua maior alegria?
VALDSON: É porque o esporte foi tão importante para mim e acho que tudo foi bom.
MR: Você já se acidentou?
VALDSON: Nunca tive acidente sério, nem o Sólon. Os meninos que se quebram muito é porque andam acima do seu limite. Eu nunca quebrei nada andando de moto, naquele acidente do Rally dos Sertões eu só quebrei o dedo. Foi a única coisa que tive.
MR: Bom saber que você nunca teve nada. Até porque você foi campeão várias vezes e deve ter andado rápido.
VALDSON: Pois é. No Regularidade você arrisca muito menos, você não está o tempo inteiro acelerando. Vc não pode arriscar sua vida num esporte que é para ser a sua diversão. Existem pessoas que conseguem andar rápido, com folga, e você, tem que saber que não é obrigado a conseguir andar como ele. Cada um tem o seu limite.
MR: Você sempre cultiva uma postura de diversão em relação ao esporte.
VALDSON: Pois é. No enduro você está lá sozinho e descobre o seu limite e não é uma coisa para mostrar para os outros. O Esporte me ensinou isso de conhecer os meus limites e me valorizar, eu fico feliz com isso. Melhor ainda que eu ganhei provas e fui campeão.
MR: Tem alguma coisa que você ainda queira realizar?
VALDSON: Acho que participar do Rally dos Sertões de moto, eles vão começar a ter regularidade, talvez eu vá participar, eu ainda não sei as categorias que existem.
MR: Você é professor do CEFET?
VALDSON: Sou do curso de Telemática. O primeiro computador de bordo que a turma usou nas motos de Enduro fui eu que fiz, igual ao que o pessoal usa hoje, o Totem e Compass.
MR: Na sua visão, o esporte hoje aqui no Ceará está melhor do que quando você começou?
VALDSON: Hoje nós não temos nenhum representante na principal categoria, a Master, que vá lá brigar por troféu.
MR: O nível dos participantes caiu?
VALDSON: Não sei o que aconteceu. O pessoal antigo representava bem o Ceará, tinha o Rogério, Riamburgo, eu. Toda essa turma sempre ganhava provas e troféus. A gente tem hoje uma quantidade maior de pilotos participando. Cerca de 80 representantes. Surgem muitos pilotos, mas nenhum grande nome que represente o Ceará, um piloto que se destaque. Tem o Arnoldo Jr., mas ele já tem quase 40 anos e precisamos de renovação.
MR: Você está ligado a algum clube ou algum órgão que apóie o esporte?
VALDSON: Eu sempre fui da Federação, desde o início e sempre colaborei na organização de provas. As trilhas do Six Days, na parte de serra, fui eu que fiz com o Sólon. O primeiro campeonato de enduro FIM fomos nós também que fizemos.
MR: Planos para o futuro?
VALDSON: Eu gosto muito de andar de moto e estou querendo participar na categoria Over 40 competitivamente. Espero que ela se mantenha e atraia os “velhinhos” para participarem e que todos tenham oportunidade de ganhar.
MR: Obrigado pela entrevista e sucesso. |