ENTREVISTA - LUIZ BORIN - (REPORTAGEM REALIZADA EM SET/2004)

Depois de fazer a relação de pessoas ligadas ao meio motociclístico a qual eu poderia entrevistar aqui em Fortaleza (pilotos, mecânicos, preparadores e de pessoas que apóiam o esporte), decidi entrevistar o Luís Carlos Borin, pois é uma pessoa que está em destaque no momento tanto como organizador de eventos como o Fast Cross e está em excelente forma como piloto. Foi uma conversa agradável e surpreendente com esse goiano que agora se consideras cearense.

MR: Sobre o Fast Cross, quantas provas serão realizadas?
LUÍZ: Cinco, a primeira ocorreu no dia dos pais (08 de agosto), a segunda foi no dia 26 de setembro e as três últimas falta determinar as datas e local.
MR: quantos pilotos se inscreveram no Fast Cross?
LUÍZ: 62.
MR: E quais são as categorias que compõem o Fast Cross?
LUÍZ: Nós temos a categoria Nacional, onde pode competir toda e qualquer moto nacional. Na categoria Enduro pode ser qualquer modo de enduro para favorecer os pilotos de Enduro, que nunca andam em pista por vários motivos e Motocross.
MR: Quais as motos utilizadas na categoria Enduro?
LUÍZ: Yamaha WR, Suzuki RMX, Honda XR e Kawasaki KLX
MR: Qual a categoria com mais participantes?
LUÍZ: Nacional, com 37 inscritos.
MR: Qual a moto mais utilizada?
LUÍZ: Tornado
MR: É a melhor?
LUÍZ: Até que saia a TTR da Yamaha, que a gente tá ansiosamente esperando, sim.
MR: E tem data prevista?
LUÍZ: Seria para setembro. Eu tô numa expectativa louca que essa moto entre logo aí, porque a Yamaha na minha opinião sempre foi sempre foi superior às motos da Honda e a TTR é uma moto que já roda na Austrália e tal e já tem um histórico.
MR: Qual a cilindrada?
LUÍZ: 250. Só que com as características bem mais off-road do que a Tornado. Ela vem com suspensão invertida, com gás atrás e um curso bem maior, 300mm na traseira. Quase uma moto de cross.
MR: E qual será o preço que ela virá?
LUÍZ: Ela vem entre dois e quatro mil reais mais caro e vai destruir a Tornado. A Honda vai ter que se virar e fazer outra moto. Não tem nem comparação, uma tem tecnologia de ponta a outra é muito fraquinha.
MR: Mas o campeão de enduro do ano passado utilizava uma Tornado.
LUÍZ: É, o Sandro Hoffman. Só que a moto dele é totalmente modificada, suspensão, motor. Só a suspensão que a Race Tech vende é R$ 3.800. O kit de motor que ele usa é de 360cc e custa mais R$ 1.200
MR: Então o melhor seria comprar logo a Yamaha que já vem quase pronta para competir.
LUÍZ: Ela (a Yamaha) vem melhor que a Honda preparada. Para você ter uma idéia ela vem com seis cavalos a mais que a Tornado.
MR: A Tornado tem quantos cavalos?
LUÍZ: 22, eu acho.
MR: Então a diferença vai ser grande.
LUÍZ: Gigantesca, seis cavalos a mais são quase um terço da potência.
MR: E quanto aos pilotos são todos federados?
LUÍZ: Obrigatoriamente.
MR: E o evento tem o apoio de alguém?
LUÍZ: Absolutamente, a gente fez a primeira prova no peito.
MR: E as inscrições são cobradas?
LUÍZ: Vinte reais na nacional e vinte e cinco reais na importada. E se for a primeira filiação do piloto não paga a inscrição só a filiação.
MR: E onde é divulgado o resultados das competições?
LUÍZ: No site da Federação- www.fmce.esp.br
MR: Luís, você é cearense?
LUÍZ: Não, sou goiano e agora cearense, mulher e filha são cearenses, tem 12 anos que moro aqui.
MR: E você sempre competiu de moto?
LUÍZ: Não, eu comecei a andar de moto no ano de 2000. Andei de Enduro, fiz umas trilhas e tal, e em 2001 eu descobri a pista... e comecei a me quebrar.
MR: Você começou com qual moto?
LUÍZ: uma Husqvarna 250.
MR: Você já praticava algum esporte?
LUÍZ: O que me trouxe para o Ceará foi o Jet ski, eu vim montar uma concessionária de Jet aqui, na parte logística e andava de jet em 95, 96 e 97.
MR: Quer dizer que aprendeu a andar de moto só?
LUÍZ: Pois é.
MR: Quais os planos para 2004?
LUÍZ: Estou competindo no Enduro Fim, no motocross e no fastcross.
MR: Quais as motos que você tem hoje?
LUÍZ: Eu tenho duas motos: uma CR 250 e YZ 125.
MR: Quais os planos para 2005?
LUÍZ: A expectativa para 2005 é bem melhor, a gente tem seis etapas fechadas para o ano que vem
MR: Vocês encontraram patrocinadores?
LUÍZ: A idéia é essa, a gente tem duas empresas que estão investindo e se propondo a bancar o campeonato num todo para o ano.
Mas ainda falta fechar o contrato. A idéia desse campeonato de 2004 é para mostrar para possíveis patrocinadores o gabarito do pessoal de fazer a prova, de organização. Depois a gente vende a idéia.
MR: Eu vi um grande número de pilotos novatos, para o próximo ano vocês não pensam em fazer um curso de pilotagem ?
LUÍZ: A idéia é que se tudo correr bem esse ano eu termine com o número 1 no Enduro Fim, no Fast Cross e no Cross novatos e ter o respaldo para poder ministrar um curso.
MR: Eu passei um tempo fora e antes de vir aqui falei com algumas pessoas sobre quem estava andando bem e me disseram que você estava “mandando ver” e eu me lembro que no início do ano você estava machucado e falando que tinha se aposentado pois não conseguia mais guiar uma moto.
LUÍZ : Pois é, eu melhorei bastante.

Nota: Começar a nossa revista cujo foco é mostrar a prata da casa, mostrando um goiano, é irônico, mas a verdade é que eu tinha conversado com o Luís no início do ano e ele estava bastante chateado pelo fato de ter se machucado em um treino e achava que não iria mais poder voltar a andar de moto como ele gostava e seis meses depois o encontrei andando feito um capeta. Depois de realizada essa entrevista fui assistir a segunda etapa do Fast cross e fiquei impressionado com a sua pilotagem. Como costuma dizer um amigo: “é show”. E para aqueles que comentaram que ele só anda bem naquela pista porque a conhece como a palma da mão, vai aí o meu conselho: siga o exemplo, treine com seriedade e dedicação.

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