Galdino Gabriel é uma pessoa mais do que conhecida nos meios motociclísticos. Um dos primeiros a praticar o fora de estrada aqui no Ceará e, junto com outros companheiros, ajundou a funda o maior Enduro do País na atualidade: O Cerapió/Piocerá. Fundou a Federação Cearense de Motociclismo do Estado do Ceará (em 1996) e é um dos poucos do Estado do Ceará que participou do Rally Paris-Dacar (em 2000). Sempre trabalhando para desenvolver o motociclismo como esporte aqui no Ceará. O reconhecimento do seu trabalho ocorreu em 2003 quando foi eleito vice-presidente da Confederação Brasileira de Motociclismo - CBM, e também um dos responsáveis pelo sucesso do “Six Days”, Enduro internacional realizado no Ceará no final de 2003 e que rendeu à CBM um prêmio da FIM Federação Internacional de Motociclismo pelo excelente trabalho realizado. Conversar com ele foi um prazer e uma fonte de inspiração.
MR: Quando você começou a fazer trilha e com qual moto?
GABRIEL: Em 84 e acho que era uma XL 250. Tinha um cara que trabalhava comigo e que eu o patrocinava no Cross e ele me convenceu a comprar uma moto para a gente fazer trilha. Eu comprei uma XL 250 em uma loja em Quixadá, com equipamento completo para fazer trilha. Fomos até o Paracuru, eu, o Franz George, o Sávio e um outro cara. Eu levei 17 quedas, cheguei todo quebrado mas fui e voltei de moto. Eu caia demais, mas não desisti. Isso foi em 84. Em 85 eu fiz o meu primeiro enduro, foi no dia do meu aniversário. Eu, o Franz George e o Lula.
MR: E quando você começou a participar de Enduros?
GABRIEL: O enduro mesmo começou em 85, o primeiro enduro foi de dupla. Andei uns 12km, levei uma queda, rompi o joelho, mas terminei o Enduro. Cheguei em casa todo quebrado e a minha mulher tinha acabado de ter a nossa filha. Foram quatro meses de cama.
MR: Você ainda anda de moto?
GABRIEL: De vez em quando. Não ando mais porque não tenho tempo.
MR: E depois do acidente? A mulher encrencou?
GABRIEL: Não ela sempre me apoiou. Eu tirei o gesso e em setembro teve um segundo Enduro. Em 86 conheci o Cordão e nós resolvemos fazer um Enduro do Ceará ao Piauí, eu, ele, o Franz George e o Alfio. O Franz George desistiu por causa de uma confusão que houve com um cara lá no Piauí que queria me matar. O Cordão saiu porque teve um problema com o filho que teve se operar e eu tive que ficar sozinho lá para finalizar a prova. Com segurança e tudo por causa desse cara que queria me matar. Para você ver, 15 anos depois eu me encontrei com ele e hoje ele é meu amigão.
MR: O mundo dá muitas voltas...
GABRIEL: Aqui, no início, quem fazia enduro era o Mesquita, um artista plástico de renome internacional. Eu comecei a andar com ele e ele andava com um papelzinho na mão. Ele levantava as trilhas e eu não sabia como isso era feito na época. Eu comecei a ver aquela arrumação e fui ver e comecei aprender. Isso foi antes de 85. Em 84 não teve enduro, e em 85 teve três enduros. Os enduros apareciam e eu não sabia como eles faziam aquele mapa.
MR: E como é isso?
GABRIEL: Alguém da organização faz a planilha para o Enduro e os competidores só conhecem a trilha na hora da competição. Para ninguém treinar. O Mesquita fez isso um bocado de anos
MR: O primeiro Piocerá foi com planilha?
GABRIEL: Foi
MR: Era de Regularidade?
GABRIEL: Sempre foi. Só que era de dupla. Acho que até o terceiro foi de duplas.
MR: Piloto e Navegador?
GABRIEL: (risadas)
MR: Já faz bastante tempo não é?
GABRIEL: É, faz 18 anos
MR: Não são 19?
GABRIEL: Não porque em 88 não teve, pois passou de dezembro para janeiro de 89. Hoje é um enduro de categoria nacional. O Brasil todo vai está representado lá.
MR:E o Dacar como foi essa história?
GABRIEL: Em 2000 em 92, 93 começou a aparecer os rali de carro e eu fui campeão cearense em 94.
MR: Você participava também de carro?
GABRIEL: Todos os caras que faziam Enduro nas motos eram navegadores do rali porque eles eram os únicos que sabiam o que estavam fazendo. Eu, o Valdson, o Sólon. A gente foi quinto no brasileiro com o Ney Barroso, na época ele tinha um gol. Depois eu fui para os Sertões com o Beto em 96, que foi o primeiro Troller a participar de Rally. Depois eu fui com o Riamburgo. Em 98 eu participei com o Beto Macedo (gerente da Troller) e em 99 tinha muito Troller participando dos Sertões. Nesse ano, o Cacá da revista 4x4 perguntou para o Roberto Macedo porque não colocava os carros no Dacar e no começo de junho o Roberto da Troller me liga e pergunta, “Como é cara, quer ir para o Dakar? quero que você seja o meu navegador.” Eu disse peraí eu tenho que pensar e quase na mesma hora disse, “Tá bom eu topo!” Aí a gente começou a se preparar para a prova
MR: Como era a equipe?
GABRIEL: Eram quatro carros (Eu e o Arnoldo Jr., o Roberto Macedo e o Marcos Ermírio, o Varela e o Fadigatti, o Cacá e o Amyr Klink). Os carros foram feitos artesanalmente, eram uns trambolhos.
MR: De quem era o patrocínio?
GABRIEL: A Hollywood, a Varig, A Bradesco Seguro. Acho que deu um total de um milhão e quinhentos mil dólares. A gente começou desacreditado, um carro feito no Ceará e etc. No primeiro deslocamento um dos carros quebrou o eixo e todos nós ficamos com medo dos carros não terminar a prova. No final nós acabamos chegando quarto terceiro na categoria novatos, o que foi uma tremenda vitória.
MR: Que beleza! Parabéns! E quanto a Federação do Ceará de Motociclismo, como foi essa história?
GABRIEL: Foi com o pessoal que fazia Enduro comigo na época. O Lincon, que era da CBM e também endurista, nos incentivou a abrir a Federação aqui no Ceará e com isso organizar o esporte aqui na região. Era eu, o Sólon Mendes, o Plutarco, o Fábio Pompeu, o Nélson Bezerra, o Valdson, o Marcos Rogério e o Bernado Macambira.
MR: Para que serve a Federação?
GABRIEL: Para regulamentar as competições. É mais um órgão normativo.
MR: Já ouvimos algumas pessoas reclamando de que a Federação deveria dar mais apoio às competições ou não exigir tanto para se organizar uma competição.
GABRIEL: Quem deve organizar as competições são os moto clubes a Federação se responsabiliza pela homologação do evento. Alguns organizadores querem fazer o evento sem as condições necessárias, pilotos sem filiação e até fazer uma corrida sem a presença de uma ambulância, o que é inadmissível.
MR: E os planos para 2005?
GABRIEL:Bom, em 2004 só faltou mesmo a motovelocidade, as outras categorias foram muito bem. A nossa meta é aumentar o número de pilotos federados e assim conseguir uma maior representatividade. Eu espero que em 2005 todas as categorias cresçam, pelo menos estamos trabalhando para isso.
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