ENTREVISTA - WELLINGTON JR - 22/09/2006

O diretor comercial da Fort Motos, Wellington Jr. conversou conosco sobre o mercado de motocicletas, esportes e importação de motocicletas. A Fort Motos está sempre presente nos eventos esportivos, tanto no fora de estrada como os de motovelocidade, e, além disso, tem procurado divulgar a motocicleta como um meio de transporte prático e seguro. O fato de ele ser motociclista tornou mais fácil o nosso contato, o difícil foi achar um espaço na sua agenda, pois como vimos, administrar uma revenda Honda não é uma das tarefas mais fáceis.

MR: como começou a Fort Motos?
WELL JR.: o meu tio e o meu pai começaram a vender motos há 20 anos em Quixadá (Revenda Honda Moto Cedro) e há seis anos atrás começamos em Fortaleza com a Fort Motos. Somos um grupo com 4 revendas Honda (Fortaleza (Fort Motos), Quixadá (Moto Cedro), Quixeramobim e em Boa Viagem).
MR: Você é de Quixadá?
WELL JR: Não, sou de Fortaleza.
MR: você é motociclista?
WELL JR: atualmente eu ando muito pouco de moto,pois o meu trabalho toma muito o meu tempo.
MR: eu me lembro que você fez o curso de pilotagem defensiva organizado pelo Esquadrão do Asfalto e que foi ministrado pelo Braguinha em 2000.
WELL JR: é verdade. Eu comecei a andar de moto aos dezesseis anos, quando morava no interior. Eu andava de Biz e depois passei para uma XLX 250, andava nas praias e fazia umas trilhas. Quando comecei a trabalhar, no interior, só andava de Biz e quando comecei com a Fort Motos comprei uma XX (1100cc), que foi moto com a qual fiz o curso de pilotagem. Ultimamente sempre que compro uma moto aparece um cliente querendo comprá-la, por isso estou sem moto. Pretendo comprar uma CBR 600RR para o meu uso particular.
MR: Nos avise quando ela chegar... Agora falando de negócios. Quantas motos a Fort Motos vende por mês?
WELL JR: ela vem num ascendente. Começamos em julho de 99 vendendo cerca de 60 motos por mês. Em 2000 passamos para 100 motos e agora no final de 2004 passamos para 180 motos em média e em 2005 esperamos crescer 20%.
MR: Se diz por aí que Honda não se vende se faz a entrega. É verdade?
WELL JR: dependendo do modelo. As motos de baixa cilindrada (Titan e Biz) são fáceis de vender, mas os modelos de maior cilindrada como Twister, Tornado e Shadow, que são mais caros, é necessário um trabalho para fazer a venda.
MR: existe alguma orientação da Honda para vender mais algum modelo?
WELL JR: não.
MR: o carro chefe da Honda é a 150?
WELL JR: é isso mesmo, depois vem a biz.
MR: a Honda é uma empresa que sempre se preocupa com a boa imagem da motocicleta, e principalmente com a segurança no trânsito organizando cursos de pilotagem defensiva. O que existe programado nessa área?
WELL JR: Houve dois cursos no ano passado, um para o público em geral, que ocorreu no Hotel Vila Galé e outro só para empresas, que ocorreu no Castelão e teve uma semana de duração. Quem participou foi o pessoal da ETUSA, da Polícia Militar e outras empresas.
MR: a nossa experiência mostra que os brasileiros não acreditam muito em cursos de pilotagem.
WELL JR: esse é o mal do brasileiro. Às vezes acha que sabe demais.
MR: Sim e qual a programação para este ano?
WELL JR: A Honda vai fazer esse ano com que cada revenda tenha um instrutor de pilotagem.
MR: Como assim?
WELL JR: A revenda vai ter que investir e fazer treinamentos.
MR: É uma orientação ou obrigação?
WELL JR: No momento é orientação.
MR: Aqui em Fortaleza somente a Ceará Motos é quem tem uma pista d treinamento.
WELL JR.: Na realidade, a revenda não precisa ter uma pista para treinamentos, existem vários locais que podem ser utilizados para treinamento, como o estacionamento do castelão e até mesmo o autódromo.
MR: E esses instrutores vão ser treinados aonde?
WELL JR: O treinamento vai ser dado pela Honda.
MR: Eu li em um artigo de revista que na Europa que o usuário de motos é o cliente acima dos 30 anos. E aqui no Brasil, qual o perfil?
WELL JR: É o público jovem e a moto é utilizada basicamente para trabalho.
MR: A Fort Motos sempre apoiou o esporte. A motovelocidade, o cross, etc. Por quê?
WELL JR: Por que eu continuo em busca do cliente motociclista que usa a moto pelo lazer. Aquele que utiliza a moto para o trabalho também é importante, mas para mim a moto não é só um instrumento de trabalho, é também de lazer.
MR: A Fort Motos mandou pilotos para o Piocerá?
WELL JR: Sim. três pilotos. Um na “Master” e dois na categoria Jr.
MR: Esse ano tem algum projeto em especial em relação ao esporte?
WELL JR: Nós sempre vemos o esporte com bons olhos. A gente espera que o mercado traga alguma coisa e nós apoiamos. No interior nós fazíamos exatamente o contrário, nós organizávamos os eventos, até por que lá é mais fácil de se organizar. O motocross é bem mais fácil de organizar. E tem mais visibilidade que o Enduro. Em Fortaleza é mais difícil de se organizar e também mais caro.
MR: O motocross em 2004 em Fortaleza cresceu muito, principalmente por causa do Fast Cross. Agora em março vai ter um curso de pilotagem para o pessoal do fora de estrada e foi construída uma pista para a prática do motocross na BR. Nós da MOTO REVISTA acreditamos que o motocross vai crescer ainda mais esse ano.
WELL JR: Em 2002 nós da Fort Motos organizamos junto com o Rinaldo o motocross, lá na pista do Caiçara. Chegamos a fazer 5 etapas. A inscrição era um quilo de alimento que era doado para a Casa do Menino Jesus.
MR: Aqui em Fortaleza só vejo motos Honda importadas aqui na Fort Motos. Por quê?
WELL JR: A Fort Motos é uma das 65 revendas Honda autorizadas para vender motos importadas. O nosso credenciamento ocorreu agora em janeiro de 2005 (a Honda possui 600 revendas no total). Anteriormente todas as revendas podiam vender motos importadas, hoje não. A Honda separou os que fizeram um melhor trabalho na venda de motos importadas e fez um credenciamento de alguns revendedores. E nós da Fort Motos somos um deles.
MR: Você me falou que ia importar uma CRF 250X.
WELL JR: Pois é. Ela é uma moto para a prática de Enduro e que está fazendo muito sucesso lá fora. E vou ver se trago umas três motos. No Cerapió tinha umas 12 delas participando.
MR : Qual seria o preço?
WELL JR: Em torno de 33 mil reais. A idéia da Honda é que os revendedores que venda motos importadas façam o pedido com 6 meses de antecedência
MR: Tudo isso?
WELL JR: É necessária toda uma estrutura para vender as motos importadas. Tem que ter uma oficina adequada, ferramentas, treinamento dos mecânicos, etc.
MR: E aqui na Fort Motos como está o treinamento dos mecânicos?
WELL JR: Hoje eles estão atualizados. Mas a medida que nós trazemos mais motos importadas é necessário fazer o treinamento dos mecânicos. Talvez a Honda traga a Shadow 1100 e aí vamos precisar treinar os mecânicos.
MR: E sobre o novo lançamento da Honda que se especula. Qual será?
WELL JR: Nem nós sabemos!!!
MR: Tudo bem. E o que você achou da nossa revista?
WELL JR: Ficou muito boa. Gostei do “lay-out” da revista e as reportagens também estão interessantes. Acho que o caminho é esse.
MR: OK. Obrigado. Espero nos encontrarmos para testar a sua CBR 600RR.

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