O Valmir Freitas, mais conhecido como Valmizao, é nosso conhecido desde a motovelocidade no final da década de oitenta. De lá para cá muita coisa aconteceu, muitos altos e baixos, e só quem ama muito as motos para continuar acelerando como faz o Valmir. Simplicidade e simpatia são a sua marca registrada. Acompanhe agora o nosso bate-papo.
MR: Você é cearense?
VALMIR: Sou da cidade de Morada Nova.
MR: E quando veio para Fortaleza?
VALMIR: Vim aos 14 anos, em 77. Vim para cá para estudar, depois comecei a trabalhar no ramo da metalurgia. Com 17 anos.
MR: E o como começou a sua história no motociclismo?
VALMIR: Comprei a primeira moto em 86, uma CG 84. Em 87 começaram a aparecer as corridas de motovelocidade e com o apoio de alguns amigos acabei indo correr.
MR: Quem eram esses amigos?
VALMIR: O Zé Evandro da Moto Rios e o Paulo Maia.
MR: E porque motovelocidade?
VALMIR: Eu costumava acompanhar as corridas de motovelocidade através da revista Motoshow que eu gostava muito. Ficava esperando o mês todinho para ver a nova edição. Era um verme danado. E o engraçado que muito tempo depois, no enduro Piocerá acabei conhecendo e ficando amigo do Quinho Caldas, que era da revista da Motoshow e hoje trabalha na revista MOTO!
MR: E como foi a sua participação nas corridas de motovelocidade?
VALMIR: Foi boa, embora eu fosse pesado para a categoria, pesava 94 quilos, acabei tendo que emagrecer bastante. Perdi mais uns catorze quilos.
MR: E os resultados?
VALMIR: Acabei ficando em terceiro lugar em 88, lembro que o campeão foi o “Nego” da Unimaq, o Fernando Menezes da Jotal em segundo.
MR: Muito bom e em 89?
VALMIR: O pessoal da Protec (O Baú e o Gouveia) que corriam de carro montou uma equipe com o Rogério que me chamou para fazer parte da equipe.
MR: E como era o esquema?
VALMIR: Era ótimo. Duas motos com todas as despesas pagas.
MR: Realmente muito bom para os nossos padrões.
VALMIR: Pois é. Acabamos sendo campeões. Eu na categoria A e o Rogério na Categoria B
MR: E em 90?
VALMIR: O Rogério foi campeão e eu vice.
MR: Que dupla hein? Excelente. Lembro que nessa época a motovelocidade aqui no Ceará deu parada. O que você foi fazer?
VALMIR: Ainda tentei participar da copa RD 350 em São Paulo – através do Gil da Moto Art, mas acabou não dando certo.
MR: Acabou ficando parado?
VALMIR: Não. Acabei fazendo o enduro Cerapió com o Rogério com o apoio da Protec.
MR: Equipe Protec de novo? E no fora de estrada?
VALMIR: Pois é. O Rogério que era mais ligado no fora de estrada me chamou. Na época o pessoal corria de dupla. Acabamos ficando em segundo na categoria estreante.
MR: Vocês dois eram casca grossa mesmo!
VALMIR: (risos). Estávamos aprendendo. Ficamos em terceiro no primeiro dia e ganhamos nos dois dias seguintes.
MR: E depois disso?
VALMIR: Fomos fazer o cearense de enduro. O Rogério foi campeão e eu vice. Nessa época o motociclismo deu uma parada. Em 95 fui correr de novo na motovelocidade e fui vice-campeão.
MR: Eu lembro, você teve um acidente nessa época.
VALMIR: É foi no autódromo, mas não participando das corridas. Estava numa moto Ninja de um amigo, bem diferente de minha CG (risos). Foi um acidente muito feio.
MR: Que pena e depois disso?
VALMIR: Só fazendo umas trilhas. Bem “light”. Em 98 voltei, fui fazer motocross onde tive um grave acidente onde quebrei perônio e tive fratura exposta.
MR: Aonde foi isso?
VALMIR: Foi na cidade de Russas, por sinal em uma prova organizada pelo Rogério. Foi bem sério, mas eu estava determinado a voltar, 6 meses depois voltei e... me acidentei de novo!!
MR: Que moto você utilizava?
VALMIR: Uma XR 200.
MR: E depois disso?
VALMIR: Em 99 começou o Enduro Fim e também a Copa Baja onde em 200 fui campeão.
MR: E o motocross?
VALMIR: Não voltei mais para o motocross, é esporte para garoto e machuca e a recuperação é demorada.
MR: E o retorno ao enduro como foi?
VALMIR: Em 2001 comecei na categoria over (mais de 35 anos) onde fui campeão no primeiro ano. Em 2002 no enduro de Canoa voltei a fraturar a perna, de novo fratura exposta. Tinha acabado de fazer o rali, tava me preparando para o Rali dos Sertões. Na estrada do batoque um carro me pegou de frente. Foi feio o acidente. Eu achei que tinha chegado o fim, mas não.
MR: Quer dizer que você acabou o carro do homem? (risos)
VALMIR: Risos. Pois é. Ele estava errado, reconheceu o erro pagou o conserto da moto.
MR: E o seu conserto como foi?
VALMIR: Foram mais 5 meses de molho.
MR: Não ficou com trauma psicológico depois de tanto acidente?
VALMIR: Não. Voltei em 2003. Fiz o Cearapio e foi um dos melhores da minha vida: ganhei 3 troféus – tve – regularidade e uma etapa do brasileiro.
MR: Com qual moto e categoria?
VALMIR: Fui com uma Tornado na categoria over.
MR: E em qual equipe?
VALMIR: Fui na equipe do Alexandre Motos e como Eleilton como mecânico.
MR: Finalmente uma notícia boa e nos anos seguintes?
VALMIR: Em 2004 fui vice no enduro FIM. Em 2005 fizemos de 5 etapas ganhamos 4. No piocera ganhamos um dia na regularidade e um dia da velocidade. Subimos de novo no pódio
MR: Com a mesma equipe?
VALMIR: Pois é. Alexandre Motos e Moto Sport
MR: E em 2006?
VALMIR: Em 2006 eu estava desmotivado e fiz o Cerapió de carro com o Cival.
MR: E como foi a experiência?
VALMIR: Na velocidade é legal, mas os carros não são tão emocionantes como as motos, mas foi uma boa experiência. Eu já tinha feito o Rali dos Sertões em 2003 como navegador. Aquela experiência me deu uma vontade enorme de participar daquele Rali, mas de moto. Quem sabe um dia eu consigo. É muito cansativo, mas só quem já foi para entender o quanto é emocionante.
MR: Que moto você tem hoje?
VALMIR: É uma híbrida, ela tem o quadro de uma DR 350 e o motor da XR 400.
MR: É boa? Dá para andar bem.
VALMIR: Com certeza, a moto é boa.
MR: E em qual categoria você está participando?
VALMIR: Só de carro, na Velobrasil e no Mitsubishi Cup
MR: E você vai participar do Piocerá esse ano?
VALMIR: Com certeza. Vou começar a treinar, fazer um esquema decente e espero fazer uma boa prova.
Boa Sorte!! |