Fábio Sampaio é daqueles pilotos que parecem ser “inoxidáveis”, o tempo passa, mas eles continuam com a mesma disposição para andar de motos. Piloto de motocross e também praticante do windsurf é conhecido e querido por todos do meio motociclístico. Acompanhe agora a conversa que com ele tivemos.
MR: Desde quando você anda de motos?
Fábio: Eu comecei a andar de moto um pouco tarde, eu gostava (e ainda gosto) de velejar. Comecei vendo as corridas de motocross do Claudio Ceará, que é um cara que eu admirava muito como piloto e hoje somos amigos. Ele me ajudou bastante no início. Na época eu tinha uns 25 (hoje 45) anos e comprei uma DT 180 sambada e levei para a oficina do Cláudio Ceará e ele me convidou para fazer umas trilhas.
MR: E como foi a experiência da primeira trilha?
Fábio: bem, eu sempre fui muito impaciente e sempre gostei de andar rápido e não gostava de andar devagar, nessa trilha eu saí acelerando e acabei levando um tombaço, graças a Deus o Cláudio tava lá e me ajudou a levantar e a consertar a moto.
MR: Essa queda não o fez ficar com vontade de desistir?
Fábio: não. Fiquei ainda um bom tempo com essa DT e fiz algumas trilhas e o enduro de regularidade.
MR: Quem andava nas trilhas nessa época.
Fábio: O Galdino Gabriel, o Valdson, o Sólon e outros. Acabei indo fazer enduro de regularidade?
MR: Enduro de regularidade? Acho que não combina com você.
Fábio: (risos). Pense num navegador “fuleragem”. Eu não tinha paciência de ficar olhando para aquelas planilhas e quando alguém passava por mim eu ia atrás e queria ultrapassá-lo de qualquer jeito. (risos). Eu também me perdia muito. Era uma loucura.
MR: E a sua experiência no motocross?
Fábio: Foi lá que eu me encontrei. É a minha praia.
MR: Ganhou algum campeonato?
Fábio: Ganhei, tem um que não lembro ano e em 2004 ganhei o “Fest Cross”. Ganhei muitas provas, mas eu dificilmente participava do campeonato todo. Participei também de dois bajas.
MR: Aonde?
Fábio: uma vez no Maranhão e outra aqui em Fortaleza.
MR: E como foi?
Fábio: no Maranhão, acho que foi em 99, chegando lá fiquei meio encabulado, pois vi muita gente de fora, aqueles caminhões das equipes do sul e eu praticamente sozinho. Mas não quis nem saber e fui honrar o meu apelido, que na época era Fábio doido, e torci o cabo. No primeiro dia só fiquei atrás do Jean Azevedo
MR: Sério?
Fábio: pois é, mas no segundo dia nem larguei pois tive um problema na coluna, não fiquei triste, pois acho que foi o meu anjo da guarda que me fez parar pois eu tava com a corda toda e acho que ia acabar me acidentando.
MR: E o segundo Baja?
Fábio: esse foi aqui mesmo em Fortaleza, a largada foi na Praia de Iracema e aconteceu uma coisa interessante. Eu praticamente larguei por último e fiquei olhando os outros competidores. Quando chegou na minha vez a adrenalina tava a mil e fiquei possuído, e com os gritos do pessoal na arquibancada eu esqueci de tudo e só queria acelerar. Em vez de dar duas voltas eu já estava na quarta quando alguém gritou: “Pára, pára senão você vai ser desclassificado”.
MR: E “dos grandes” quem estava participando da competição?
Fábio: Tinha o Jean Azevedo, o Juca bala, o Savaia, José Hélio. A minha moto era uma CR 96 e eles tinham moto nova.
MR: E o resultado?
Fábio: a entrega da premiação aconteceu no Mucuripe. Eu sabia que estava entre os dez primeiros e na hora da entrega dos troféus eu fiquei só esperando: décimo, nono, oitavo, sétimo e nada de chamarem o meu nome. Eu pensei: “opa foi melhor do que pensei”. Fui o quinto lugar e fui muito aplaudido. Foi muito emocionante.
MR: Que moto você tem agora?
Fábio: Uma tornado. Mas pretendo comprar uma WR 250 da Yamaha.
MR: Você tem habilitação de moto?
Fábio: Rss. Não. Eu praticamente só uso a moto para diversão no final de semana.
MR: E acidentes?
Fábio: esse é um assunto que a gente procura esquecer. Teve um que aconteceu na rua e que hoje quando lembro rio bastante.
MR: Como foi?
Fábio: Eu ia comprar uma peça para o meu carro, era de noite e eu ia na DT. Estava escurecendo e eu estava na av. Expedicionários quando um ônibus avançou e eu entrei embaixo do ônibus. Foi terrível. Não sei como escapei, fiquei com a mão inchada, todo arranhado. O ônibus tava lotado. Eu atordoado e querendo desmaiar. Veio uma velhinha em e disse: “Meu filho pensei que você tinha morrido”. Ficou todo mundo espantado porque eu ainda estava vivo. O motorista do ônibus saiu “voado” para o IJF.
MR: E os planos para o futuro?
Fábio: Este ano estou participando do enduro FIM e de algumas provas de motocross como as provas organizadas pelo Zé Galinha (liderando). Pretendo continuar enquanto tiver saúde e paixão pelas motos. |