ENTREVISTA - AMARÍLIO BARBOSA - 29/05/2007

O Amarílio é bi-campeão cearense da categoria 125 de motovelocidade (2003 e 2006). Seu jeito expansivo e falante é muito conhecido no meio esportivo. Ele é um exemplo de que com dedicação e esforço tudo é possível. Acompanhe a conversa que tivemos com o campeão e grande amigo.

MR: Olá. Acompanhamos o seu desempenho na motovelocidade: bi-campeão na categoria 125cc (2003 e 2006). Não é para qualquer um. Gostaríamos de saber como foi a sua trajetória no motociclismo.
Amarílio: Bom, comecei aos 16 anos de idade. Meu pai e meu irmão tinham moto e nós saíamos de moto sempre que possível.

MR: Que moto era?
Amarílio: Ele gostava muito de motos e teve várias. Nessa época ele tinha uma CG.

MR: Quando foi isso?
Amarílio: Eu tinha uns 16 anos, no início da década de 80. Ele usava a moto para ir ao trabalho, a gente pedia para ligar a moto e esquentar o motor, na realidade era o “verme” de andar que era grande. Como disse anteriormente ele teve muitas motos, entre elas uma Java, outra que me lembro bem era uma yamaha 200 que tinha um barulho muito bonito. Além dessas teve DT e também vespa.

MR: E a sua primeira moto?
Amarílio: Foi uma RX 125 que comprei do meu irmão e que tinha sido do meu pai. Era vermelha e toda “guaribada”. Eu andava sem carteira de habilitação, só tirei aos 21 anos.

MR: E depois?
Amarílio: Eu tive várias outras, mas as que deixaram as melhores lembranças foram as CB 400 que tive.

MR: Por quê?
Amarílio: Era uma moto muito gostosa de guiar. Hoje é uma moto ultrapassada, mas ainda acho uma boa moto. A primeira, acho que comprei em 86, e a última uma preta, acho que você se lembra dela.

MR: E por quê não tem mais?
Amarílio: Na época vendi por necessidade financeira (liseira – risos), acabei vendendo e comprei uma CB 500, mas também por problemas financeiros tive que vender. Hoje ando de Titan que utilizo no meu trabalho (Lig Filme)

MR: Lembro-me que você uma época andava de Traxx. Que tal a motinha?
Amarílio: Era boa, mas bebia muito e infelizmente me acidentei algumas vezes com ela e resolvi trocá-la.

MR: E como começou a história das corridas de motovelocidade?
Amarílio: Eu não era chegado na motovelocidade, gostava mais do motocross, inclusive ia assistir ao Hollywood cross e às corridas que tinham na praia do futuro. Acontece que em 2001 eu estive na oficina SOS Motos e vi a moto do Antônio Jorge por lá – conversa vai e conversa vem resolvi colocar uma moto para o meu irmão, o Daniel, correr. Montamos uma moto e ele treinou um bocado, mas não conseguiu fazer um tempo decente. Resolvi dar uma volta para testar, mas confesso que logo na primeira volta fiquei com medo e parei. Quando voltei aos boxes fiquei pensando: “ando de moto há tanto tempo, estou com equipamento de segurança e todos dizem que é seguro”. Resolvi voltar e acabei fazendo um tempo considerado muito bom, acho que era 1m47s, que era o tempo que o pessoal intermediário fazia, o pessoal que andava na ponta fazia 1m43s.

MR: E como foi a primeira corrida?
Amarílio: Foi ótima. Inesquecível. Larguei em último e acabei chegando em décimo. No final do campeonato acabei chegando em sétimo. Isso foi em 2001.
Em 2002 a nossa equipe chegou a colocar 5 motos. A minha melhor colocação foi o segundo lugar, lá no maranhão. Esse resultado calou a boca de muita gente.
Em 2003 foi mais difícil porque tive problemas financeiros. Gostaria de ressaltar a ajuda que tive, foram algumas dicas do Rogério Almeida (bi-campeão de motovelocidade 89-90) e do Valmizao. O Rogério me disse que eu deveria encher o tanque da moto, calibrar o pneu da moto e andar até o tanque secar. Achava aquilo uma loucura, porque era muito cansativo, mas essa dica foi fundamental. Acabei sendo campeão em 2003. Alguns disseram que só fui campeão pelo fato do Antônio Jorge estar correndo na categoria 250cc, mas acontece que ele corria o brasileiro na categoria 125 e em treinos no nosso autódromo eu estava conseguindo andar melhor do que ele.

MR: E em 2006?
Amarílio: Infelizmente não tivemos campeonato em 2004 e 2005, mas mesmo assim continuamos treinando no autódromo e ministramos alguns cursos de pilotagem esportiva. Em 2006 começamos andar antes de todos, achava que eu não tinha condições de fazer um bom campeonato, mas felizmente os outros competidores também não estavam em boas condições. O campeonato foi organizado pelo Marco Aurélio (O Megamotor). O regulamento era bem liberal e podia correr qualquer moto de 125cc independente da marca. A maioria correu de Honda CG 125, que é uma velha conhecida nossa. Pelo que me lembro só você correu de Yamaha.

MR: E como foi o campeonato?
Amarílio: Foram 6 provas. Ganhei algumas provas e fiz uma temporada bem regular. Na última prova a moto estava péssima, mas cheguei em terceiro e ganhei o campeonato.

MR: E como foi a reação da família em relação às corridas, já que você já era casado e tinha dois filhos pequenos?
Amarílio: Não teve muito problema. Conversei com minha esposa e deu tudo certo. Conseguimos equilibrar os horários de treino e o tempo com a família. Ela e meus filhos foram essenciais para as minhas vitórias.

MR: Planos para o futuro?
Amarílio: No momento sem muitos planos, pelo menos em relação à competição, pois acho que dificilmente teremos um campeonato esse ano, mas pretendo continuar andando com os amigos no autódromo sempre que possível.

MR: Estaremos lá.

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