SAÚDE

ENDURO: de olho no VO2* e na resistência.

Os campeonatos estaduais e o nacional começam a partir de janeiro, e neste começo de provas é que falamos dos projetos, quem se destacará, qual atleta é o favorito, qual prova é mais importante, quem se preparou fisicamente melhor e coisas do tipo.

Quando falamos em competição de alto nível, todos nós, treinadores ou não, sabemos que é fundamental ter um excelente condicionamento físico. Nas provas de longa duração (endurance), como é o Piocerá, não é diferente. Mas existem algumas diferenças físicas de acordo com cada modalidade. Por exemplo: o Motocross tem exigências físicas diferentes daquelas usadas em uma prova de enduro.

As provas de enduro longas (Piocerá) exigem do piloto uma alta resistência aos efeitos da fadiga que pode ser neural ou muscular. Para suportar tudo isso e realizar as tarefas com eficiência, o piloto de enduro tem que dedicar boa parte do seu treino adquirindo condições fisiológicas consideradas ótimas, como aumentar a resistência muscular localizada e o volume máximo de oxigênio, principalmente das musculaturas mais exigidas, como membros inferiores e ombros (para que possam suportar todos os estímulos da corrida).

O vo2 máximo é a capacidade que o organismo tem de absorver, utilizar e transportar o oxigênio durante uma atividade física máxima. E quanto maior for esse volume, a capacidade de respiração celular também será maior – como conseqüência o organismo realiza trabalhos físicos por mais tempo. O vo2 máximo exigido para pilotos profissionais é de 55ml/kg/min (mililitros para cada quilo do peso corporal, por minuto) para que realizem a prova com eficiência. Se fizermos uma comparação com outros esportes não é muito alto, mas o ideal para completar uma prova de enduro de uma forma competitiva.

Ao melhorar o condicionamento o piloto tem mais capacidade de suportar os efeitos da fadiga, mantendo a eficiência dos movimentos e prolongando seu estado de equilíbrio físico, e melhorando seu equilíbrio psico-emocional durante o enduro.

A resistência muscular é mais simples, mais não menos importante. O objetivo muscular com os pilotos de enduro é trabalhar as principais musculaturas exigidas, como as das pernas, ombros e abdômen para que tenham bastante resistência e suportem todas as exigências impostas pela prova. O treinamento pode ser identificado pelo alto número de repetições que variam de 15 a 60 por série trabalhada e intensidade de 35% a 75% de força máxima do grupo muscular. Mas tudo isto tem que estar acompanhado também por uma alimentação balanceada com o mínimo de seis refeições diárias, isto não serve só para competir, e sim no dia a dia também.

Estamos perto do próximo desafio - o Piocerá, pilotos que não se prepararam para uma prova desta, corram atrás, procurem profissionais capacitados e academias com estrutura para bons treinamentos, ainda a tempo de melhorar o seu condicionamento físico. Não encare uma prova de endurance sem conhecer seus limites físicos.
Boa sorte nos treinos e nas provas, agora é só enrolar o cabo até Teresina.

FERNANDO LINS – Personal Friends

©2005 - 2006 Moto Revista - Todos os direitos reservados